Política

Exclusão de Garotinho beneficia Paes, mas pode frustrar plano do PT no Rio

O ex-prefeito ganha mais pontos que o candidato de Flávio Bolsonaro e pode liquidar a eleição ainda no primeiro turno, o que não convém aos aliados petistas

Exclusão de Garotinho beneficia Paes, mas pode frustrar plano do PT no Rio
Exclusão de Garotinho beneficia Paes, mas pode frustrar plano do PT no Rio
O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho. Foto: Pimentel Felipi/Agência Senado
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Eleições 2026

A possível inelegibilidade de Anthony Garotinho (Republicanos) pode produzir um efeito inesperado na eleição para o governo do Rio. A saída do ex-governador tende a beneficiar mais Eduardo Paes (PSD) do que Douglas Ruas (PL). Os dois disputam parte do eleitorado de direita, mas a pesquisa Genial/Quaest mostra que a retirada de Garotinho não provoca uma migração relevante de seus votos para o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro (PL). Em vez disso, Paes amplia sua vantagem e fica mais próximo de vencer no primeiro turno.

No cenário com os três candidatos, divulgado pela Quaest em 27 de julho, Paes tinha 38%, enquanto Garotinho e Ruas apareciam empatados com 10%. Quando o ex-governador era retirado da simulação, Ruas avançava apenas para 11%. Paes, por sua vez, chegava a 42%.

O resultado é importante porque enfraquece a hipótese de que Garotinho esteja apenas impedindo Ruas de concentrar o voto da direita. Se a saída do ex-governador fosse suficiente para transformar o candidato do PL no principal beneficiário, seria esperado um crescimento maior de Ruas. Não é o que aparece no levantamento.

O cenário também altera a perspectiva para o segundo turno. Na pesquisa, Paes tinha 48% contra 18% de Garotinho em uma eventual disputa entre os dois. Contra Ruas, o ex-prefeito marcava 52%, enquanto o candidato do PL ficava com 16%. Ou seja, Garotinho, apesar de estar sob ameaça jurídica, aparecia numericamente como um adversário mais competitivo para Paes do que Ruas.

É esse conjunto de números que torna a situação particularmente relevante para o PT. O partido não tem interesse apenas em uma vitória de Paes. É conveniente levar a disputa no Rio ao segundo turno, com dois candidatos diretamente associados à disputa presidencial: Paes como aliado de Lula (PT) e Ruas como candidato do PL de Flávio Bolsonaro.

A possibilidade de nacionalizar a eleição estadual já apareceu no debate da Band, realizado no domingo 9, antes da decisão judicial que colocou a candidatura de Garotinho novamente em xeque. O ex-governador atacou Ruas pela relação com Flávio e cobrou do deputado uma defesa mais firme do senador durante o confronto.

“O que o Flávio Bolsonaro sofreu hoje com a covardia, o candidato dele não teve coragem de defendê-lo. Pelo menos o William Siri [candidato do Psol] defendeu o voto no candidato dele, Lula. O candidato do Flávio Bolsonaro ficou com medo”, afirmou Garotinho.

Ruas respondeu nas considerações finais e afirmou que Flávio estará ao seu lado na largada da campanha, em 16 de agosto. A troca evidenciou a disputa entre os dois pelo eleitorado de direita e, principalmente, pelo posto de principal nome do campo bolsonarista na corrida estadual.

O deputado também tentou se desvincular da ideia de ser apenas o candidato da família Bolsonaro. Durante o debate, afirmou: “Não sou candidato de ninguém. Tenho identidade própria. Eu sou Douglas Ruas, sou um servidor público de carreira. Nos últimos 12 anos, servi em diferentes funções públicas e nunca escolhi chefe, sempre escolhi a missão”.

A disputa entre os dois pode, porém, terminar antes mesmo de a campanha começar oficialmente. Na segunda-feira 10, a Justiça do Rio determinou que Garotinho cumpra uma sentença que suspende seus direitos políticos por oito anos. A decisão foi comunicada ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro e ao Tribunal Superior Eleitoral, mas não declarou que ele está inelegível. Cabe à Justiça Eleitoral decidir se a condenação impede sua candidatura.

A condenação está relacionada a irregularidades no programa Saúde em Movimento, da Secretaria Estadual de Saúde, entre 2005 e 2006, quando Garotinho era secretário de Estado de Governo na gestão de sua mulher, Rosinha Garotinho. A sentença determinou, além da suspensão dos direitos políticos, o ressarcimento do valor apontado como desviado e outras sanções.

A defesa contesta justamente o momento a partir do qual os oito anos devem ser contados. Para os advogados, o trânsito em julgado ocorreu em 2018 e, portanto, a punição já foi cumprida. “A suspensão dos direitos políticos se exauriu em 1º de agosto de 2026”, afirmou o defensor Admar Gonzaga.

O caso não está resolvido, e a eventual saída de Garotinho não permite concluir que Ruas assumirá automaticamente sua fatia do eleitorado. Pelos números disponíveis, o efeito mais imediato seria outro: Paes ganharia espaço para tentar liquidar a eleição no primeiro turno, enquanto o candidato de Flávio Bolsonaro continuaria precisando crescer para transformar a disputa em um confronto nacionalizado.

O Republicanos tem até 15 de agosto para registrar as candidaturas e decidir se mantém Garotinho ou apresenta outro nome. Se a candidatura for registrada, o TRE-RJ poderá ser acionado para analisar sua elegibilidade, com possibilidade de recurso ao TSE.

O partido já discute alternativas caso os advogados considerem inviável manter o ex-governador na disputa. A decisão ocorrerá às vésperas do início oficial da campanha, em 16 de agosto, quando Paes e Ruas começarão a disputar diretamente o eleitorado que pode determinar se a eleição terminará na primeira rodada ou chegará ao segundo turno.

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