Ex-ministro de Temer afirma que Ricardo Salles recusou transição

Edson Duarte diz que a equipe de transição do bolsonarista se negou a analisar documentos

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Política

O ex-ministro do Meio Ambiente de Michel Temer, Edson Duarte, afirmou que a equipe de transição de Ricardo Salles se negou a analisar documentos e levantamentos preparados pela gestão anterior. A declaração foi feita em um evento nesta quarta-feira 8, que reuniu ex-ministros da pasta para debaterem sobre a urgência dos rumos do governo – o qual Marina Silva classificou como ‘esdrúxulo’.

“Por um princípio ético, não cabia a mim fazer uma análise do ministro que estava entrando. Nós montamos todas as condições para uma boa transição, nos apresentaram uma comissão e passamos para eles todas as informações em um documento”, disse Duarte.

No entanto, no dia 13 de dezembro – o governo Bolsonaro iniciou a fase de transição no dia 7 de novembro -,  a antiga equipe designada para tratar da pasta foi exonerada, incluindo o biólogo Ismael Nobre, que comandava a equipe. No lugar deles, assumiram Ricardo Salles, o agrônomo Evaristo de Miranda, da Embrapa, e Gilson Machado Guimarães Neto, atual secretário do ecoturismo.

“‘Fomos surpreendidos pelo ministro, que disse que não deveríamos passar nenhuma informação para grupo de transição porque eles estavam se afastando. Embora ele tenha se colocado à disposição para dialogar, uma transição seria fundamental e necessária. Seus secretários chegaram a se negar a pegar informações que preparamos, que ficou sob a mesa. Isso nunca aconteceu”, afirmou o ex-ministro.

No evento, além de Duarte estiveram presentes Rubens Ricupero (Itamar Franco), Gustavo Krause, José Carlos Carvalho e José Sarney Filho (FHC), Marina Silva e Carlos Minc (Lula) e Izabella Teixeira (Dilma Rousseff), que declararam a formação de um grupo para confrontar as atuais políticas ambientais, incluindo denúncias a órgãos internacionais. “Presenciamos uma extensão do ministério da Agricultura”, afirmou Sarney Filho.

No fim de março, o governo anunciou um corte de 187 milhões de reais do orçamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Cerca de 96% da verba dedicada ao combate de mudanças climáticas foi cortada. Em menos de um semestre de governo, Salles já acumulou desafetos e instabilidade a órgãos estratégicos como ICMBio e Ibama.

*Colaborou Alexandre Putti

 

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