Política

Ex-deputado do MDB é preso sob suspeita de facilitar fuga de faccionados na Bahia

Em troca, Uldurico Alencar Pinto teria recebido 2 milhões de reais em propina. A defesa nega as acusações e diz que o emedebista é alvo de perseguição

Ex-deputado do MDB é preso sob suspeita de facilitar fuga de faccionados na Bahia
Ex-deputado do MDB é preso sob suspeita de facilitar fuga de faccionados na Bahia
Divulgação/Câmara dos Deputados
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O ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto (MDB) foi preso nesta quinta-feira 16 sob suspeita de ter recebido 2 milhões de reais em propina do Comando Vermelho, em troca de facilitar a fuga de faccionados de um presídio em Eunápolis, distante 465 quilômetros de Salvador.

Dezesseis internos escaparam da unidade prisional na ocasião, entre eles o traficante Ednaldo Pereira de Souza, o Dadá, liderança do Primeiro Comando de Eunápolis, facção com atuação regional e vinculada ao CV, segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, do Ministério Público baiano.

Uldurico foi detido em um hotel em Mata de São João. Seus advogados negam as acusações e dizem que seu cliente é alvo de perseguição política em ano eleitoral.

Além da prisão do ex-deputado, os agentes do Gaeco e da Polícia Civil cumpriram três mandados de busca e apreensão em Teixeira de Freitas e em Salvador. A operação desta quinta foi batizada de Duas Rosas, em referência à forma como os integrantes da organização criminosa se referiam às vantagens ilícitas.

De acordo com os investigadores, a fuga dos presidiários não teria ocorrido “de forma isolada ou fortuita”, mas em um “contexto de articulação criminosa estruturada, envolvendo integrantes da organização criminosa PCE e o ex-deputado federal, com a utilização de influência política e institucional”.

Uldurico tem relação com Joneuma Silva Neres, que foi diretora do presídio de Eunápolis por indicação dele e está sob investigação por ter facilitado a fuga. As apurações apontam que a mulher mantinha um relacionamento com Dadá e organizava encontros entre o líder do PCE e o ex-deputado.

A ex-diretora nega o relacionamento com o criminoso e alega que Uldurico é pai da filha dela, nascida enquanto Joneuma estava presa, em 2025. Sobre isso, a defesa do ex-deputado diz que um exame de DNA foi solicitado para verificar a suposta paternidade.

O papel de interlocutora entre Dadá e o político teria o objetivo de encobrir politicamente as atividades criminosas de Joneuma em favor da organização criminosa, de acordo com o MP baiano. Em troca, Uldurico garantiria sua permanência à frente do presídio, contribuindo para que o ex-deputado obtivesse o apoio da facção na campanha eleitoral de 2024, aliciando e coagindo eleitores a votar nele. Um inquérito da Polícia Federal apura essa aliança.

A maioria dos fugitivos do Complexo Penal de Eunápolis segue foragida, entre eles Dadá. Suspeita-se que o líder do PCE esteja escondido no Rio de Janeiro, de onde comanda a facção.

Quem é Uldurico Alencar Pinto

Conhecido como Uldurico Júnior, ele faz parte da terceira geração de políticos em sua família. Ingressou na política oficialmente em 2014, quando foi eleito deputado federal pelo PTC (atual Agir). Foi reconduzido ao cargo quatro anos depois pelo Partido Pátria Livre com 66,3 mil votos. Também passou por PV e PROS antes de se filiar ao MDB, sigla pela qual concorreu à prefeitura de Porto Seguro, em 2020, e à prefeitura de Teixeira de Freitas, em 2024.

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