Política
Ex-comandante da FAB diz que Flávio Bolsonaro foi ‘leviano’ ao acusá-lo de pedir votos para Lula
O senador e presidenciável do PL fez a afirmação durante sabatina no ‘Jornal Nacional’, da TV Globo, na última sexta-feira 28
O ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Junior classificou como “leviandade” a afirmação do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, de que ele estaria pedindo votos para o presidente Lula (PT).
A declaração de Flávio ocorreu durante sabatina da TV Globo na sexta-feira 28, quando ele foi questionado sobre os depoimentos de Baptista Junior e do general Marco Antônio Freire Gomes, então comandantes da FAB e do Exército, respectivamente, sobre as pressões para que as Forças Armadas aderissem a um golpe de Estado após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022.
Ao responder à pergunta, o presidenciável não discutiu o conteúdo dos relatos dos militares. Disse que Baptista Junior estaria pedindo votos para Lula e, por isso, seria parcial ao falar sobre o ex-presidente. “Não, não é grave, porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para o Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro”, afirmou Flávio, em resposta ao jornalista César Tralli.
No sábado 29, Baptista Junior reagiu à declaração em uma publicação no X, na qual disse desconhecer a origem da afirmação e acusou o candidato de usar a alegação para evitar o tema da pergunta. “A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la”, escreveu.
O ex-comandante acrescentou que sua atuação durante a crise institucional não teve relação com Flávio e sugeriu que o senador conhecesse seu relato antes de fazer novas afirmações. “Talvez seja prudente aguardar, ler o livro e refletir, antes de outra entrevista”, afirmou, em referência à obra Eu disse não – Uma trincheira antigolpista, que chegará às livrarias em setembro pela Editora Autêntica.
No livro, o tenente-brigadeiro do ar reúne os bastidores da crise que se seguiu à eleição de 2022 e descreve, por exemplo, reuniões no Palácio da Alvorada e no Ministério da Defesa nas quais, segundo seu relato, foram discutidas medidas de exceção e uma minuta destinada a impedir a posse de Lula.
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