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Estímulo à reincidência

O Termo de Ajustamento de Conduta assinado em 2021 deu carta branca ao Carrefour para repetir os erros

Jogada de marketing. A humilhação da professora Isabel Oliveira mostra que o grupo francês nada aprendeu com o assassinato de João Freitas em 2020 – Imagem: iStockphoto e Redes sociais
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Em 19 de novembro de 2020, João Alberto Freitas, homem negro e trabalhador de 40 anos, foi morto por asfixia por seguranças no estacionamento de uma loja do Carrefour em Porto Alegre. A cena brutal presenciada pela esposa da vítima e outros clientes foi gravada por câmeras de celulares e imediatamente associada ao assassinato de George Floyd, em 25 de maio do mesmo ano, por três policiais em Minneapolis, nos EUA. Poucas vezes a similitude do racismo estadunidense e brasileiro, muitas vezes escamoteado pelo discurso da cordialidade das relações raciais no País, tornou-se tão evidente. Na manhã seguinte, Dia da Consciência Negra, havia uma certeza unânime no Brasil: a morte de João Alberto foi um ato racista.

Nas redes sociais, o assassinato tornou-se um dos assuntos mais comentados, sempre referido pela motivação racista, desde a Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio Grande do Sul à ONU, bem como pelos presidentes da Câmara, do Senado e pelo ministro ­Gilmar Mendes, do STF, segundo quem o caso era a prova de que a luta contra o racismo estava longe de acabar. Nem mesmo a direção do Carrefour negou o caráter racista da brutalidade cometida. Em nota, relacionou expressamente o crime com a data da Consciência Negra e destinou o lucro das vendas daquele dia a entidades ligadas ao movimento negro. Também assumiu publicamente o compromisso no “reforço do treinamento antirracista” para funcionários e terceiros.

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