“Está claro o papel dos EUA na Lava Jato”, diz Lula a CartaCapital

Ex-presidente preso em Curitiba concedeu entrevista na quarta-feira 4

(Foto: Ricardo Stuckert)

(Foto: Ricardo Stuckert)

Política

Preso em Curitiba desde abril de 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos articulou a Operação Lava Jato no Brasil, com o objetivo de quebrar empresas brasileiras competitivas e impedir sua eleição em 2018. A declaração ocorreu em entrevista exclusiva a Mino Carta, diretor de redação de CartaCapital, e ao redator-chefe da revista, Sergio Lirio.

O petista disse que, já em 2014, alertou à direção nacional do PT que haveria um processo de criminalização da legenda.

“Em dezembro, logo depois da vitória da Dilma [Rousseff, ex-presidente da República], teve um ato do PT em Brasília e eu alertei a direção nacional, em um pronunciamento que fiz, de que era importante que o PT começasse a se dar conta de que estava começando um processo de criminalização do PT”, explicou.

Em seguida, Lula acusou a Operação Lava Jato de ter se transformado em uma “instituição” com propósitos ideológicos, como parte de uma estratégia dos Estados Unidos para sabotar a economia brasileira.

“Eu nunca consegui compreender por que uma Operação Lava Jato se transformou em uma instituição. Eles esqueceram que era uma operação policial para investigar um determinado tipo de crime e transformaram em uma instituição com o objetivo veementemente político. E foi e está claro, e para mim, está muito claro, o papel preponderante da Secretaria de Justiça dos Estados Unidos nesse processo da Lava Jato”, declarou.

O ex-presidente comparou os impactos da estratégia americana no Brasil aos prejuízos econômicos ocorridos no Iraque, após intervenções dos EUA.

“Ou seja, o objetivo final era não deixar o Lula ser candidato, era quebrar empresa de engenharia no Brasil, era quebrar indústria de gás e óleo desse país, era quebrar indústria naval, para que, tal como aconteceu no Iraque, as indústrias americanas e outras indústrias europeias viessem fazer aqui o que as brasileiras faziam. Isso está acontecendo nesse instante”, argumentou.

A conclusão de Lula está de acordo com relatório elaborado pelo próprio partido sobre a participação de agentes do governo americano na Operação Lava Jato. Em 18 de junho, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), apresentou o documento ao parlamento europeu em Bruxelas, na Bélgica, em que acusa os Estados Unidos de atuação ilegal nas ações da Polícia Federal.

Segundo o texto, houve comunicação entre procuradores e juízes brasileiros e americanos por vias não autorizadas, instrução de métodos pouco ortodoxos nas investigações dos processos e aplicação indevida de recursos da administração pública ao governo americano.

O objetivo, diz o relatório, seria enfraquecer empresas, como a Petrobras, a Odebrecht e a Embraer, eliminar concorrentes e comprar ativos estratégicos com mais facilidade. Além disso, o estudo sugere a intenção dos americanos em derrubar autoridades não alinhadas aos seus interesses, ampliar a influência dos Estados Unidos e abrir espaço para atuação de empresas americanas, principalmente as de petróleo.

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem