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Escolhido para o Itamaraty, Aloysio Nunes atacou Trump no Twitter

por Redação — publicado 02/03/2017 17h05, última modificação 02/03/2017 17h55
Próximo a Serra, que pediu demissão ao alegar problemas de saúde, o novo ministro classificou o presidente dos EUA como 'partido republicano de porre'
Edilson Rodrigues / Agência Senado
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Aloysio Nunes: o novo chanceler criticou o presidente dos EUA no dia da eleição

Escolhido por Michel Temer para substituir José Serra no Ministério das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) deve seguir a estratégia de seu antecessor de estreitar laços entre o Brasil e os Estados Unidos. Para tanto, talvez valha omitir de seu Twitter as duras críticas que fez a Donald Trump, presidente dos EUA. 

A eleição do republicano, em 9 de novembro, não agradou o novo ministro. Pouco após a confirmação da vitória do bilionário, o tucano classificou o novo presidente norte-americano como "o partido republicano de porre". "É o que há de pior, de mais incontrolado, de mais exacerbado entre os integrantes de seu partido", concluiu. 

Apesar das críticas a Trump, Nunes Ferreira não deve mexer no "legado" deixado por Serra no Itamaraty. Antes de pedir demissão em 22 de fevereiro ao alegar problemas na coluna, o ex-chanceler destacou-se pelo discurso alinhado aos interesses norte-americanos e por casos criados na América Latina, entre eles sua campanha pela derrubada de Nicolás Maduro do governo da Venezuela.

Em 2015, Nunes Ferreira também engajou-se na oposição ao governo venezuelano. Ele integrou uma comitiva de senadores para visitar Leopoldo López, oposicionista preso no país vizinho. O grupo chegou a ser hostilizado por manifestantes. 

Nunes Ferreira também notabilizou-se por sua disposição em conferir ar de normalidade ao impeachment de Dilma Rousseff. Um dia após o afastamento da petista, ele viajou a Washington para uma reunião com empresários e senadores norte-americanos e defendeu que o País tinha instituições políticas e jurídicas sólidas.

Próximo a Serra, de quem é aliado e amigo pessoal há anos, Nunes Ferreira comandou a Comissão de Relações Exteriores no Senado. Eleito senador por São Paulo em 2010, ele concorreu a vice-presidente da República na chapa de Aécio Neves, derrotada no pleito de 2014.

No âmbito das investigações da Operação Lava Jato, Nunes Ferreira foi citado na delação do empresário Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC. Segundo Pessoa, o tucano teria recebido 500 mil reais da empresa, sendo 300 mil por meio de doações oficiais e 200 mil via caixa dois. O tucano nega as acusações e diz que toda as doações recebidas foram legais e declaradas à Justiça Eleitoral.