Política
Em Salvador, Lula exibe força política e intensifica agenda para conter desgaste no Nordeste
A expectativa é que o presidente viaje mais vezes para a região; à militância, ele pediu engajamento contra a desinformação digital
O presidente Lula (PT) reuniu, nesta quinta-feira 2, aliados baianos em um evento para anunciar investimentos em mobilidade urbana em Salvador (BA). O ato foi interpretado como uma demonstração de força no estado — um dos principais redutos petistas do País, mas também palco da ofensiva do ex-prefeito ACM Neto (União), líder nas intenções de voto para o governo baiano e apontado como uma ameaça à vantagem de Lula na Bahia.
Embora siga na dianteira nas principais pesquisas eleitorais, a leve piora na avaliação do governo e o avanço da rejeição ao petista no Nordeste acenderam um alerta no Planalto. A expectativa é que Lula intensifique viagens como a desta semana e reforce a articulação política para superar os rachas na base aliada. Esta é a segunda visita do presidente a Salvador neste ano: em fevereiro, a capital baiana foi escolhida para a celebração dos 44 anos do PT.
Na última eleição presidencial, a diferença entre os votos de Lula e Jair Bolsonaro (PL) no Nordeste chegou a 12,5 milhões no segundo turno. O petista obteve 69,3% dos votos válidos na região, uma vantagem decisiva numa disputa nacional vencida por pouco mais de 2 milhões de votos sobre o ex-presidente.
Durante o discurso desta quinta, Lula rasgou elogios a Rui Costa, ex-governador da Bahia que deixa a Casa Civil para disputar o Senado em outubro. Segundo o presidente, Rui “é o cara que me prevenia todos os dias das coisas que poderiam dar errado”. “Nós nunca tivemos a Casa Civil com tanta capacidade de apresentar soluções como agora.”
Em tom abertamente eleitoral, Lula também demonstrou preocupação com a disseminação de fake news e pediu o engajamento da militância. “Este ano é o ano em que a verdade vai disputar com a mentira. A mentira voa e a verdade engatinha. Para mentir, não é preciso explicar, mas, para se defender, você precisa se explicar. É importante que fiquem atentos ao celular para aprender a diferenciar o que é verdade e o que é mentira.”
Ao lado de Lula estavam o senador Jaques Wagner, o governador Jerônimo Rodrigues e os ministros Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Secom), Margareth Menezes (Cultura) e Vladimir Lima (Cidades).
Segundo Lula, a estratégia do governo para enfrentar a desinformação será comparar as obras realizadas nos últimos anos com o que foi feito durante a gestão de Bolsonaro. “Cada cabeça de alfinete que foi feita nesse País vamos comparar com o que foi feito nos outros governos. Para que, no dia em que o povo tiver de decidir, decida com base na verdade”, disse.
O petista voltou a sinalizar o interesse do governo em recomprar a Refinaria de Mataripe, antiga Landulpho Alves, vendida à Acelen durante o governo Bolsonaro, e também criticou a privatização da BR Distribuidora (atual Vibra Energia). “A gente não pode ver a BR [Distribuidora] na mão da iniciativa privada, aumentando para o povo os preços quando a Petrobras não aumentou”, afirmou.
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