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Em reunião, PT define temas centrais de atuação para os próximos anos

Política

Neste sábado 1º, o Partido dos Trabalhadores anunciou os três eixos fundamentais do partido para os próximos quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (PSL). Um documento com análise do cenário político atual e a maneira como os diretórios nacional, estaduais e municipais precisam agir foi deliberado com membros da sigla em um encontro em Brasília, que começou na sexta-feira 30 e se estendeu até a tarde de hoje.

O primeiro tema diz respeito à defesa da democracia e à liberdade do ex-presidente Lula, preso desde abril na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Seguido a isso, o documento apresenta como outro eixo central de atuação a defesa dos direitos do povo brasileiro e do patrimônio nacional, e  a defesa do papel soberano do Brasil no mundo.

Ele destaca a necessidade de fortalecer a campanha ‘Lula Livre’ através, sobretudo, dos movimentos de rua com movimentos de massa. “Na defesa das liberdades democráticas, a campanha pela libertação do companheiro Lula e pela anulação de suas condenações ganha centralidade”, diz o texto.

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O documento, de nove páginas, não contém autocríticas e apresenta uma posição clara frente ao governo eleito que assumirá daqui um mês.

“Ainda que uma caracterização completa do governo Bolsonaro deva aguardar a posse e o início de seu governo, sua campanha, as medidas anunciadas e os nomes indicados para os ministérios confirmam que estamos diante de um governo profundamente autoritário, ultraliberal e submisso aos interesses do governo estadunidense”, diz.

Medidas contrárias ao Estado de Diteiro serão combatidas no Congresso,  mas também nas manifestações com o apoio dos movimentos sociais. Nesse aspecto, o PT cita como pontos de defesa fundamentais a previdência pública e o serviço público. Também diz que manterá o foco na revogação da emenda do congelamento dos gastos sociais e a forma como o setor da Educação será gerido.

“Precisamos defender especialmente o setor de Educação, em articulação com o Fórum Popular de Educação, que está indicado como a primeiro a ser destruído pelo governo fascista, nas escolas de educação básica e universidades”, esclarece o documento.

Além de fazer crítica ao governo eleito, o PT diz que defenderá seu legado e o combate as fake-news.  “A batalha cultural e a luta contra a extrema-direita englobam o enfrentamento das mentiras e manipulações difundidas pelas Fake News e  a luta contra o oligopólio da mídia”.

Renovação 

O nome de Fernando Haddad é citado dez vezes no texto, sempre colocando-o como o maior protagonista de uma renovação do partido.

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“Fernando Haddad se projeta como uma nova liderança nacional do Partido. Defendeu o legado do PT, ao mesmo tempo em que simbolizou aspectos de renovação política e social de que o PT é capaz, logrando conjuntamente com a militância democrática, da esquerda e do partido chegar ao final do segundo turno com 47 milhões de votos.  É com este saldo político que Fernando Haddad poderá cumprir destacado papel frente aos novos e complexos desafios da conjuntura.”

Tal destaque, porém, ainda não está claro. Em 2019 haverá eleições internas do partido. Ainda que já tenha declarado não estar interessado no cargo de presidente da sigla, as discussões sobre a sucessão ou não da direção da sigla só deve começar a ocorrer a partir  fevereiro de 2018.

Havia a possibilidade de parte desse assunto fosse levado para a reunião de hoje, mas membros da executiva nacional do PT concluíram que tratar sobre esse tema seria uma decisão demasiadamente antecipada.

Haddad não esteve presente nos dois dias de reunião do partido. Ele foi convidado a participar do lançamento de uma coalizão internacional progressista idealizada pelo senador americano Bernie Sanders e pelo ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis. O ex-prefeito de São Paulo  também passou por universidade em Nova York onde palestrou para estudantes.

 Reflexões

Em âmbito interno, o documento orienta a organização de grupos de trabalho para aprofundar debates formativos em temas das áreas: religiosa, comunicação, reorganização do PT e de suas dinâmicas de funcionamento, a questão militar no Brasil, a formação política e a corrupção. Isso deverá ocorrer com a participação da Fundação Perseu Abramo e da Escola Nacional de Formação.

Junto com esses dois órgãos, a sigla pretende também promover oficinas em municípios e bairros de instâncias partidária para a promoção de debates com a presença de filiados e simpatizantes.

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Repórter do site CartaCapital.com.br

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