Política

Em inspeção encabeçada por Boulos, ViaMobilidade atribui falha nos trens de SP a falta de equipamentos

Representantes da concessionária afirmam que principais falhas, como velocidade do trens, serão resolvidas até agosto

Foto: Divulgação
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Durante a inspeção encabeçada pelo deputado federal Guilherme Boulos (Psol), nas linhas da ViaMobilidade nesta sexta-feira 16, a empresa atribuiu os problemas nas linhas de trem ao atraso na aquisição de novos equipamentos e prometeu resolver as principais falhas até agosto.

A comitiva encabeçada pelo pré-candidato à prefeitura de São Paulo ocorreu no dia seguinte ao MP ter decidido estudar a proposta da concessionária de investir cerca de R$ 600 milhões e pagar R$ 87 milhões em indenização.

Ao longo das diligências, a ViaMobilidade prometeu que, em 2023, vai trocar 30 mil metros de trilhos e 15 mil dormentes, bem como realizar manutenção em 100 km da linha. No entanto, até o momento, alcançou apenas 1/5 das metas prometidas.

A concessionária administra as linhas 4-Amarela e 5- Lilás de metrô, como as linhas 8-Diamante, 9-Esmeralda de trem – composições com falhas recorrentes de velocidade, descarrilamento e superlotação.

Segundo a ViaMobilidade, novos equipamentos precisaram ser adquiridos com a fornecedora Alston, que atrasou o envio, alega a ViaMobilidade, por conta da Guerra na Ucrânia e da pandemia. Ainda segundo a concessionária, o estado de bens da infraestrutura era “degradante” nas linhas à época em que foi feita a concessão, em janeiro de 2022. O contrato tem validade de 30 anos.

“Não é possível que não sejam só causas externas. Quais os principais erros?”, questionou Boulos.

“A ViaMobilidade está terceirizando os problemas”, reforçou o maquinista Lucas Dametto. Ele conta ter presenciado casos recorrentes de descarrilamento, demora dos trens, escadas rolantes inoperantes, ar-condicionados sem funcionamento e a sujeira nas composições enfrentados diariamente.

Durante as diligências, Boulos notou “subutilização” nas oficinas de trens no pátio da estação Presidente Altino, na linha 9-Esmeralda. Também na apresentação das metas da concessionária, o deputado citou ter encontrado usuários deficientes com dificuldades de locomoção ao longo do dia.

Outros fatores enfatizados pela comitiva foram a lentidão e as alegações da concessionária de supostos sabotamentos das linhas de trem, o que, na opinião de Boulos, não representa a realidade dos problemas.

Em nota, o Ministério Público afirma que o CAEx (setor técnico do MPSP) está verificando se, tecnicamente, a proposta da concessionária evitará acidentes e aumentará o conforto dos usuários das Linhas 8 e 9.

Desde o fim de de 2022, o contrato de concessão da ViaMobilidade se tornou alvo do Ministério Público, após a promotoria informar à Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM) de São Paulo que iria pedir a rescisão do contrato de concessão das Linhas 8 e 9 de trens com a ViaMobilidade.

De acordo com os promotores, a gestão da concessionária apontou a falta de pessoal especializado, materiais e equipamentos nas linhas 8 e 9 de trens como fatores de sucessivas falhas das operações da linha.

Pressionado, o governador Tarcísio passou a criticar a postura do MP em discursos no início deste ano. “O dia em que você deixar o Ministério Público governar por você, você está morto”.

Um laudo produzido em março deste ano pelo MP. após nove meses de investigações nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda,  apontam que 48 procedimentos devem ser solucionados imediatamente pela ViaMobilidade.

Perguntada sobre o consenso entre a concessionária e o Ministério Público, a gestão Tarcísio enviou resposta por meio da Secretaria de Parceria em Investimentos, e disse que a pasta acompanha as tratativas. “A pasta segue atuando para assegurar que o contrato de concessão seja cumprido”, afirmou em nota. 

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