Política

Em debate, Covas ressalta ‘experiência’; Boulos confia em ‘onda de esperança’

Discussão sobre vices acirrou os ânimos; foi o primeiro encontro em TV aberta entre os candidatos no 2º turno

Foto: Reprodução Foto: Reprodução
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A TV Band promoveu na noite desta quinta-feira 19 o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo no segundo turno: Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL).

 

Em sua primeira intervenção, o postulante do PSOL disse que sua chegada ao segundo turno é consequência de uma “onda de mudança”. “Mais de um milhão de pessoas votaram com esperança. A mudança neste segundo turno é comigo e com a Luiza Erundina. Quero ser prefeito porque não aceito que a cidade mais rica do Brasil tenha gente morando na rua, tanta gente sem emprego, tanta desigualdade. Tenho sentido uma onda de esperança, de mudança”, disse Boulos.

Covas, por sua vez, disse que “o momento é de união, de buscar formação de consensos”. Além disso, o tucano voltou a citar seu histórico na política para diferenciá-lo do adversário. “O Brasil e o mundo atravessam uma crise econômica e social. Ofereço minha experiência como gestor, deputado estadual, deputado federal e prefeito para que nós possamos seguir avançando”, disse.

Um dos temas que permearam o debate foi a estratégia para enfrentar a crise econômica em meio à pandemia do novo coronavírus. Boulos afirma que, como prefeito, criará um programa de transferência de renda. “Vamos fazer o programa ‘Renda Solidária’. São Paulo é a cidade mais rica do Brasil e a Prefeitura não pode se omitir. O programa vai atender até um milhão de famílias, com valor que vai chegar a até 400 reais”, prosseguiu.

 Não vai beneficiar apenas essas pessoas, mas a recuperação econômica da cidade. Nos debruçamos no Orçamento e o custo estimado é de 3,5 bilhões de reais ao ano. Ele cabe no Orçamento da cidade.

Covas enalteceu a decisão de sua gestão de “enviar às famílias uma complementação por conta da redução do auxílio emergencial [por parte do governo de Jair Bolsonaro]”. O tucano também afirmou que “a experiência faz a diferença para conhecer a realidade do orçamento”.

Diante dos projetos para mitigar os danos sociais da Covid-19, os candidatos foram questionados sobre as fontes para custear as propostas. Este assunto gerou um dos momentos de acirramento no debate.

Boulos disse que a Prefeitura de São Paulo tem, em caixa, “19 bilhões de reais, um pouco mais de 10 bilhões livres, recursos orçamentários”. De acordo com ele, esse montante “poderia estar ampliando investimento”. O candidato do PSOL prometeu “cobrar dívida ativa – grandes devedores, grandes empresas, instituições financeiras” e disse que “é possível ter recuperação fiscal entre 10 e 12 bilhões nos próximos quatro anos”.

Covas, por sua vez, ao reforçar sua experiência como prefeito de São Paulo, acusou Boulos de confundir “recursos em caixa com recursos disponíveis”. Segundo o tucano, “recursos em caixa servem para pagar funcionalismo, contratos de obras em andamento”. Ele ainda afirmou que sua gestão aumentou “em 25% o valor de recuperação da dívida ativa em relação ao governo do PT”.

Outro momento do debate em que os ânimos se mostraram mais exaltados se deu na discussão sobre os candidatos a vice-prefeito. Boulos afirmou ter “orgulho” de ter como vice a ex-prefeita Luiza Erundina. “Eu não escondo a minha vice. Mulher, nordestina, assistente social, guerreira. Você tem como vice o Ricardo Nunes. O Ricardo Nunes tem investigações no Ministério Público, suspeitas de gente no grupo dele recebendo aluguel superafaturado de creches conveniadas. Onde tem desvio, temos que combater. Você bota a mão no fogo pelo seu vice?”, questionou o candidato do PSOL.

Covas, por sua vez, respondeu que Ricardo Nunes “não tem nenhum processo no Judiciário e não há nenhum indício de qualquer caso de corrupção”.

Ricardo Nunes foi lutar para trazer recursos para a cidade de São Paulo. Fazer discurso é muito fácil; difícil é enfrentar banco para trazer recursos.

Nas considerações finais, Covas afirmou que suas ações à frente da Prefeitura o “enchem de orgulho”. “Mas eu não estou satisfeito. Tem muito a ser feito. São grandes os desafios que a crise do coronavírus nos impôs.  E eu não vou descansar enquanto a gente não conseguir melhorar, ainda mais, a qualidade de vida das pessoas. A grande missão é a redução da desigualdade social. A minha cartilha é a da tolerância, do respeito à lei, à ordem, à diversidade. Não se faz justiça social se você não tiver responsabilidade fiscal. Coloco minha experiência à sua disposição. É momento de comparar o que cada um já fez”, finalizou.

Boulos disse: “O crescimento nosso nas pesquisas mostra que São Paulo está vivendo uma onda de esperança que vai desaguar no dia 29 de novembro. Quero levar  a experiência de 20 anos lutando com as pessoas que mais precisam, no movimento social. Eu vou aliar essa experiência de vida e de luta com a experiência de gestão da Luiza Erundina, que foi a melhor prefeita que a cidade já teve. Você tem que se perguntar neste momento: que cidade a gente quer para os próximos anos? Quer deixar a cidade do jeito que está, favorecendo os mesmos de sempre? A maioria quer mudança. E essa mudança no segundo turno é comigo e com a Luiza Erundina”.

Leonardo Miazzo

Leonardo Miazzo
Editor do site de CartaCapital. Twitter: @leomiazzo

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