Em culto, Bolsonaro diz que ‘minorias’ devem ‘se manter na linha’ e volta a insinuar fraude em eleições

Na cerimônia, o ex-capitão ainda tornou a exaltar remédios ineficazes contra a Covid-19 e revelou 'pedidos' a André Mendonça no STF

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Política

O presidente Jair Bolsonaro reforçou nesta terça-feira 5 seu discurso negacionista sobre a pandemia e fez um novo aceno à sua base social minoritária durante cerimônia religiosa em Brasília. No Simpósio Cidadania Cristã, na Igreja Batista Central da capital federal, o ex-capitão também voltou a incitar a desconfiança no sistema eleitoral brasileiro.

 

 

“Tem muita gente melhor que eu pelo Brasil. Mas quis o destino que a Presidência estivesse com a gente. Temos que trabalhar, aguentar pressões, desaforos, fake news, ameaças. E tocar o barco”, afirmou o presidente no início de seu discurso. “Respeitemos as minorias, mas as leis são para que eles se mantenham na linha, não nós, que já estamos na linha”.

Bolsonaro tornou a dizer que defende a família ‘tradicional’ e que sabe ‘o que representa a família para a sociedade’. Em uma de suas tentativas de piada, declarou que o fato de sua filha Laura ter 10 anos indica que ele está “na ativa e sem aditivo”. Ministros como Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência), Marcelo Queiroga (Saúde) e Damares Alves (Família, Mulher e Direitos Humanos) marcaram presença no evento.

Durante o pronunciamento, o presidente exibiu em um telão um vídeo gravado por um apoiador. Sem nenhuma crítica ao governo, o homem não identificado lista supostas realizações da gestão e diz que ‘descobrimos que há fraude nas eleições’. Apesar dos ataques ao sistema eleitoral, Bolsonaro jamais conseguiu demonstrar qualquer irregularidade nos pleitos.

Na cerimônia religiosa, o ex-capitão ainda voltou a exaltar remédios ineficazes contra a Covid-19 e alegou que as dificuldades econômicas que o País enfrenta decorrem das medidas adotadas por prefeitos e governadores para frear a disseminação da doença.

“Eu não me furtei de falar na ONU, para o mundo, de tratamento precoce. Que deveríamos respeitar a autonomia do médico. Ou temos que nos consultar com William Bonner e os três patetas da CPI?”, perguntou o presidente, em novo ataque aos senadores Omar Aziz (PSD-AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “Tem gente que fala que não tem comprovação científica. Tá bom, então você recomenda o quê? Não tem o que recomendar. Grandes remédios foram descobertos por acaso”.

Por fim, Bolsonaro defendeu a indicação de André Mendonça, ex-ministro da Justiça e da Advocacia-Geral da União, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado sequer tem data marcada.

“Espero que Mendonça seja aprovado. Terá uma sabatina, creio que não terá dificuldade de ser questionado sobre questões jurídicas. Se for aprovado, tomará posse. Só fiz dois pedidos a ele: que toda semana, ao iniciar os trabalhos, peça dois minutos e faça uma oração dentro do STF e que todo mês quero tomar com ele uma Tubaína”.

 

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem