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Eleonora Menicucci: “Não existe democracia sem o voto soberano”

Política

“Eu sou sobrevivente, continuo sobrevivendo”, afirma Eleonora Menicucci, ex-ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres no governo Dilma Rousseff. Presa política, torturada e ameaçada pela Ditadura Militar, a socióloga sabe reconhecer o valor da democracia e dos direitos conquistados.

“Tive minha filha ameaçada 24 horas por dia enquanto eu estava presa, falavam que iriam torturá-la e matá-la”, conta ela, que marcou presença no ato feminista “Mulheres pelas Diretas e pelos Direitos“, que ocorreu no domingo 11, em São Paulo.

Além da nova campanha pelas Diretas Já e em prol dos direitos das mulheres, Menicucci trouxe à tona o grito pela descriminalização do aborto, conquista, que, segundo ela, só será alcançado se existirem eleições diretas. “Não existe democracia sem o voto soberano”, afirma a ex-ministra.

Seu percurso histórico de militância foi rememorado por ela durante sua fala no palco que dividia com Ana Estella Haddad e a vereadora Juliana Cardoso (PT-SP) , em que destacou a importância das mulheres na mobilização. “Eu estou na luta e quero que todas as mulheres estejam, no que depender de mim estarei e continuarei sempre.”

Em referência a Ditadura Militar (1964-1985), Menicucci afirmou que sua presença no ato se deu em favor da democracia e pelas mulheres. “Nós entregamos nossa juventude, nossa vida e o nosso sangue pela lutas democráticas”, ressaltou.

Público

O ato reuniu cerca de 10 mil pessoas no Largo do Arouche (Divulgação/Diretas Já)

A ex-ministra ainda destacou o impeachment de Dilma como um golpe protagonizado por um Congresso “machista, patriarcal, fundamentalista, reacionário, conservador, midiático, judiciário e capitalista financeiro unido para derrubar a primeira mulher eleita e reeleita”.  

O ato protagonizado pelas mulheres no domingo trouxe importantes referências políticas na organização, e diferente de outros que ocorrem pelo Brasil, não é apenas organizado pela classe artística, mas conta com entidades políticas feministas na articulação.

Fascismo social

Menicucci ainda alertou sobre os riscos que o Brasil corre de uma “consolidação de um fascismo social”. No dia 5 de maio, a ex-ministra foi condenada a pagar uma indenização por danos morais de dez mil reais ao ator Alexandre Frota, por ter alegado que ele teria feito apologia ao estupro.

A recente condenação foi ainda confirmada na sexta-feira 9, quando a Justiça negou o pedido de recurso que os advogados de defesa solicitaram.

“Corremos o risco de ter uma legitimação do estupro, da violência, e isso se chama fascismo social. Essa condenação não é contra mim, mas contra todas as mulheres”, denuncia.

Em entrevista à CartaCapital, a socióloga trouxe a memória o percurso construído por ela e pela filha, que permaneceram na luta mesmo depois da prisão e da tortura. “Minha filha é lésbica e minha neta foi gerada a partir de uma inseminação artificial, e hoje tem 14 anos”, conta Menicucci. Ela conta que luta contra a ditadura ainda lhe trouxe importantes ensinamentos, como a possibilidade de “negociar, dialogar, e não mudar de campo”.

Para a ex-ministra, não existe socialismo sem o movimento feminista. “Temos sido protagonistas de todos os processos históricos do nosso País, e é por aí que precisamos seguir”, afirma.

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