Política

Eleição em São Paulo segue no centro das divergências entre PT e PSB

Gleisi Hoffmann e Carlos Siqueira se reúnem em Brasília e defendem aliança em torno de Lula, mas diferenças estaduais seguem sobre a mesa

A Deputada federal Gleisi Hoffmann - Foto: Lucio Bernardo Jr./ Câmara dos Deputados
A Deputada federal Gleisi Hoffmann - Foto: Lucio Bernardo Jr./ Câmara dos Deputados
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A reunião entre lideranças do PT e do PSB em Brasília nesta quinta-feira 20 serviu para destravar o diálogo em alguns estados, mas não resolve de modo definitivo as divergências entre os partidos.

No âmbito nacional, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, reforçou o apoio à candidatura de Lula. “Temos de estar à altura do momento político”, disse a jornalistas. O grande entrave envolve a formação de uma federação entre as duas legendas, o que levaria à necessidade de candidaturas únicas a governos estaduais, por exemplo. O principal foco de discussões entre PT e PSB continua a ser a eleição em São Paulo.

Diante disso, PT, PSB e outros partidos (como PCdoB e PV) avaliam acionar o Tribunal Superior Eleitoral para prorrogar o prazo de oficialização das federações. A percepção é de que o limite de 1º de março inviabiliza a resolução das diferenças nos estados.

Após o encontro em Brasília, a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, disse à imprensa que há “disposição para construir a federação”, mas ponderou: “O tempo da política não pode ser dado pelo tempo burocrático da Justiça Eleitoral.”

Gleisi declarou ainda que, embora considere boa a ideia da federação, o partido vê com maus olhos o prazo exíguo exigido pelo Congresso. “A federação é uma ideia boa no geral, mas consideramos muito ruim o Congresso ter estabelecido um prazo e o TSE ter recriado esse prazo”. Ela se refere a mudanças nos prazos das federações promovidas pelo presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, que antecipou de julho para março o limite para as siglas sacramentarem a união.

Com as federações, dois ou mais partidos podem se juntar e formar um bloco durante a eleição, mas terão de atuar juntos nos quatro anos seguintes.

Disputa em São Paulo, calmaria em Pernambuco

Os petistas não abrem mão de lançar Fernando Haddad, que aparece na liderança de pesquisas sem o ex-tucano Geraldo Alckmin. O PSB, por outro lado, quer Márcio França no páreo.

“O PT entende que a candidatura de Haddad é essencial. E o PSB também entende que a candidatura de França é importante”, resumiu Gleisi depois da reunião. No PT, a avaliação é de que Haddad tem mais força eleitoral que França, mas Carlos Siqueira repete que o fator “matemático” não é determinante.

“O 1º lugar em pesquisa é o 5º elemento nosso. Antes de ser um entendimento eleitoral, é preciso ser um entendimento político. Vamos apoiar Lula por razão política e nos estados vamos levar isso em consideração também”, afirmou.

A maré em Pernambuco, que há semanas parecia tão revolta quanto a de São Paulo, parece ter se acalmado. Na quarta-feira 19, Lula afirmou, durante entrevista a sites e blogs progressistas, que o PSB tem o direito de lançar candidato próprio em Pernambuco. “É o estado em que o PSB tem a direção mais forte”, disse.

Lula também garantiu que, apesar de o PT ter dois potenciais candidatos (Humberto Costa e Marília Arraes), o partido ficará de fora da disputa caso o PSB defina candidatura. “Se o PSB definir a candidatura, o Humberto Costa está fora.” Assim, caberia ao atual governador, Paulo Câmara (PSB), comandar o processo por sua sucessão.

No Rio de Janeiro, apesar de crescentes rumores de que o PT poderia lançar André Ceciliano ao governo, houve avanço pelo apoio a Marcelo Freixo, do PSB. “Nós temos caminhado bem no Rio. Estamos juntos pela candidatura de Freixo”, disse Gleisi.

A tendência é de que o PSB apoie os postulantes petistas em Sergipe, Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte. No Maranhão e em Alagoas, Santa Catarina e Rio de Janeiro, a dinâmica se inverte, e os socialistas devem receber o endosso do partido de Lula.

Leonardo Miazzo

Leonardo Miazzo
Editor do site de CartaCapital. Twitter: @leomiazzo

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