Política
Edir Macedo e esposa ganham passaporte diplomático do governo Bolsonaro
O documento foi emitido pelo ministro Ernesto Araújo sem nenhum custo e tem validade por três anos
O presidente Jair Bolsonaro concedeu, nesta segunda-feira 15, passaporte diplomático para o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário do Grupo Record, Edir Macedo. Sua esposa, Ester Eunice Rangel Bezerra, também recebeu o documento.
A decisão, assinada pelo chanceler Ernesto Araújo, foi publicada no Diário Oficial da União.
Entre as vantagens de quem possui este documento está o acesso à fila de entrada separada e tratamento menos rígido nos países com os quais o Brasil tem relação diplomática. Em alguns países que exigem visto, o passaporte diplomático o torna dispensável. O documento é emitido sem nenhum custo para a autoridade e tem validade por três anos.
Segundo a decisão do governo, “seu titular poderá desempenhar de maneira mais eficiente suas atividades em prol das comunidades brasileiras no exterior”.
O PRB (Partido Republicano Brasileiro) é controlado pela Universal e tem bispos licenciados entre os principais quadros do partido. Desde o segundo turno das eleições presidenciais, a legenda apoia Bolsonaro.
O presidente, desde que foi eleito, mantém também uma relação próxima com a TV Record, emissora de Edir Macedo. Diversas vezes Bolsonaro deu entrevistas aos programas e elogiou a linha editorial da emissora. Além disso, os filhos do presidente, que também participam da política junto com o pai, fizeram diversos elogios aos programas da Record.
Segundo levantamento feito pelo UOL e publicado nesta segunda-feira 15, nos três primeiros meses do governo Bolsonaro, a Record passou a Globo e foi o grupo de comunicação que mais recebeu verbas publicitárias do governo.
A notícia está causando grande repercussão e Edir Macedo está nos trending topics do Twitter.
Bolsonaro concedeu passaporte diplomático para Edir Macedo, magnata do televangelismo. Esse tipo de documento deveria ser emitido apenas para autoridades em missões oficiais do governo. Não é o caso de Macedo. Com Bolsonaro é assim: aos inimigos, ameaças; aos amigos, privilégios.
— Sâmia Bomfim (@samiabomfim) 15 de abril de 2019
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