Durante a pandemia, PM de SP mata uma pessoa a cada seis horas

O aumento de violência policial se dá em um momento que houve uma redução drástica de crimes cometidos no mesmo período

Polícia Militar

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Em meio aos protestos realizados nas principais capitais do mundo contra o racismo e a violência policial, alguns casos chocaram o estado de São Paulo nos últimos dias. Guilherme Silva Guedes, de apenas 15 anos,  foi sequestrado na madrugada do último domingo 14 e foi encontrado morto na segunda-feira 15 em Diadema, na Grande SP. A família suspeita que policiais militares estejam envolvidos no caso, já que no local em que o menino foi visto pela última vez foi encontrado um pedaço de pano semelhante à farda utilizada pela corporação com a inscrição “SD PM Paulo”.

Moradores ficaram indignados com o que aconteceu ao garoto. Em protesto, queimaram ônibus e fecharam a avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira no final da tarde desta segunda.

O mesmo aconteceu com Igor Rocha Ramos. O adolescente negro de apenas 16 anos morreu baleado pela PM no Jardim São Savério, zona sul de São Paulo. O caso aconteceu no dia 02 de abril.  O tiro o atingiu pelas costas, na nuca, e ele morreu na hora. O adolescente tinha saído para comprar pão e cigarro para a mãe e nunca mais voltou.

Outro caso que chocou a população foi a agressão cometida por policiais militares contra dois rapazes no bairro Jaçanã, zona norte de São Paulo. Gravações de testemunhas mostram quando policiais desferem chutes, socos e tapas em um jovem, que não apresenta nenhuma reação, mas continua a receber os golpes enquanto diz ser “trabalhador”.

A divulgações das imagens nas redes sociais chegou ao conhecimento da Secretaria da Segurança Pública (SSP), que determinou o afastamento de oito agentes na capital e de seis na Grande São Paulo.

Outros casos aconteceram no estado durante a quarentena.

1 morte a cada 6 horas

Os três casos ilustram o cenário de violência cometida por policiais no estado de São Paulo durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo dados divulgados pelo governo de João Doria (PSDB), publicados no Diário Oficial, o número de “mortes decorrentes de intervenção policial” envolvendo a PM subiu 54,6% em abril, já com a quarentena em vigor.

Foram 116 casos contabilizados, ou seja, um a cada seis horas. Esses são os últimos dados divulgados. O de mês de maio ainda não foi publicado.

O aumento de violência policial se dá em um momento que houve uma redução drástica de crimes cometidos em período simultâneo.  Estatísticas da Secretaria da Segurança Pública apontam que os roubos caíram 30,3% no estado, com o total de 14.057 casos. Já os furtos reduziram à metade. Ao todo, houve 20.797 registros,  53,3% a menos do que em 2019.

E o aumento da violência policial já vinha ocorrendo antes da quarentena. Na comparação entre janeiro e março deste ano com o mesmo período do ano passado, a elevação no número total de mortos por policiais militares no Estado de São Paulo foi de 23,2%. Em 2019, 28 morreram após supostas resistências a PMs de folga, e outras 179 pessoas tiveram a vida tirada por um policial em serviço.

O governador João Doria se pronunciou sobre o caso e disse que o governo não compactua com qualquer tipo de violência. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo ainda não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta reportagem.

 

 

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