Documentos revelam plano de Bolsonaro para povoar Amazônia

Material obtido pelo site Intercept mostra que a prioridade do governo é explorar as riquezas, fazer grandes obras e atrair novos habitantes

Desmatamento na Amazônia. Foto: Arquivo/Agência Brasil

Desmatamento na Amazônia. Foto: Arquivo/Agência Brasil

Política

Desde junho deste ano, o governo de Jair Bolsonaro está envolvido em uma crise internacional sobre a preservação da Amazônia, maior floresta tropical do mundo. Queimadas tomaram conta de grande parte do território que fica no Brasil. Estudos mostram que o desmatamento é a maior causa dessa tragédia. Em meio às tentativas do governo de reverter a crise, o site The Intercept Brasil teve acesso a documentos que mostram planos do governo de desenvolver uma das partes mais conservadas da Amazônia.

O plano foi apresentado pela primeira vez em fevereiro deste ano, quando a Secretaria-geral da Presidência ainda estava sob o comando de Gustavo Bebbiano. O então secretário-geral iria a Tiriós, no Pará, em uma comitiva com os ministros Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Damares Alves, dos Direitos Humanos, para se reunir com entidades locais.

Conforme a matéria do Intercept, apesar de Bolsonaro ter se comprometido a proteger a floresta em pronunciamento em cadeia nacional de televisão, o projeto mostraria que a prioridade é explorar as riquezas, fazer grandes obras e atrair novos habitantes.

O documento mostra que o governo vê como “riquezas” os minérios, o potencial hidrelétrico e as terras cultiváveis do planalto da Guiana, que fica entre o Amapá, Roraima e o norte do Pará e do Amazonas. O projeto se chama “Barão de Rio Branco” e retoma o antigo sonho militar de povoar a Amazônia.

Na apresentação do projeto, o governo diz enxergar uma oposição orquestrada à sua “liberdade de ação” na região. Os slides listam os previsíveis supostos opositores: ONGs ambientalistas e indigenistas, mídia, pressões diplomáticas e econômicas, mobilização de minorias e aparelhamento das instituições.

Na visão da gestão Bolsonaro, a população tradicional — indígenas e quilombolas — são um empecilho à presença do estado no local. Nenhuma organização indígena foi envolvida no projeto. Elas ficaram sabendo do projeto Barão de Rio Branco pela imprensa.

No total, o plano de ocupação afetaria 27 terras indígenas e áreas protegidas da chamada Calha Norte — a terra indígena Wajãpi, no Amapá, onde foi relatado o assassinato de um cacique por garimpeiros, é uma delas.

O governo queria que o projeto Rio Branco fosse viabilizado por um decreto em um prazo de 100 dias a partir de janeiro, mas isso não aconteceu. O plano, no entanto, tem sido discutido em reuniões fechadas. De acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos, o programa Barão do Rio Branco “ainda se encontra em fase de discussão e de amadurecimento”.

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