Documento desmente versão de que Pazuello soube do colapso no AM apenas em 10 de janeiro

Uma nota assinada pelo ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Élcio Franco indica que, três dias antes, o general já sabia do drama

Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Política

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou nesta quarta-feira 19, em depoimento à CPI da Covid, que só foi informado no dia 10 de janeiro sobre a falta de oxigênio em hospitais do Amazonas. Um ofício do Ministério da Saúde entretanto, contradiz o general.

 

 

Uma nota técnica assinada pelo ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Élcio Franco indica que, três dias antes, Pazuello já sabia do drama amazonense. “Esclareço que, na noite de 7 de janeiro de 2021, este Ministério tomou ciência de problemas relacionados ao abastecimento de oxigênio da rede de saúde do Amazonas”, diz o texto.

“Tratou-se de uma conversa informal entre o Secretário de Saúde do Estado do Amazonas e o Ministro da Saúde, naquela noite, por telefone, apenas e tão somente para solicitar apoio no transporte de 350 cilindros de oxigênio de Belém para Manaus”, acrescenta a nota técnica, que chegou à Câmara em 16 de março, como resposta a um requerimento protocolado pelo deputado José Ricardo (PT-AM).

Horas depois de afirmar que só tomou conhecimento da situação em Manaus no dia 10 de janeiro, Pazuello tornou a ser questionado sobre o tema, desta vez pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). O parlamentar lembrou o general de que ele havia sido avisado pelo secretário estadual de Saúde do Amazonas, Marcellus Camêlo, por telefone, três dias antes.

O general, entretanto, insistiu na afirmação de que o assunto não entrou em pauta na conversa.

“No dia 7 à noite, ele não me falou nada de colapso de oxigênio. Foi a solicitação de transporte, a logística de Belém para Manaus, que foi feita no dia 8 e 10”, disse o ex-ministro.

Pazuello ainda disse na CPI que seus “olhos estavam sobre Manaus” desde o dia 28 de dezembro. Segundo ele, após o secretário estadual lhe telefonar no dia 7 de janeiro para pedir ajuda no transporte de cilindros, ele contatou o Ministro da Defesa e pediu que o auxílio fosse prestado. Com isso, o transporte teria começado no dia 8 de janeiro.

“Em momento algum foi feita qualquer observação sobre colapso de oxigênio (antes do dia 10). No dia 8, determinei que fôssemos a Manaus, não pela falta de oxigênio, mas pelo colapso na rede de atendimento. Embarcamos no dia 10 e fui direto para a reunião”, completou.

 

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Editor do site de CartaCapital. Twitter: leomiazzo

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