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Dirigente do PT admite trocar vice de Lula para ‘atrair o centro’

Oferecer a cadeira que hoje é de Geraldo Alckmin seria importante para atrair mais alianças, avalia Jilmar Tatto. A resolução, porém, não será simples

Dirigente do PT admite trocar vice de Lula para ‘atrair o centro’
Dirigente do PT admite trocar vice de Lula para ‘atrair o centro’
Alckmin desconversou sobre repetir a parceria eleitoral com Lula em 2026. Foto: Mauro PIMENTEL / AFP
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Eleições 2026

Dirigente do PT e integrante de sua comissão executiva nacional, o deputado federal Jilmar Tatto (SP) afirmou a CartaCapital considerar plausível não ter Geraldo Alckmin (PSB) como vice de Lula (PT) na eleição deste ano, a fim de dar lugar a um dos partidos de “centro” que o presidente planeja atrair em busca de seu quarto mandato.

O quebra-cabeças não é simples de resolver. Alckmin é um vice leal a Lula, cumpriu à risca o que o presidente esperava e tem total apoio do PSB para aparecer ao lado do presidente na urna em 2026. Ao mesmo tempo, parte do governo entende ser possível obter o endosso de um grande partido, a exemplo do MDB, oferecendo a vice. Também seria uma forma, por consequência, de afastar essa legenda da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

“Temos de atrair o centro, criar uma frente democrática, fazer política de alianças. Se o preço para atrair o centro é a negociação da vice, eu concordo com isso“, disse Tatto. “Não podemos brincar, não existe eleição ganha. A eleição pode ser difícil, com uma diferença pequena.”

Lula declarou na semana passada que Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), “têm um papel a cumprir em São Paulo”. Até aqui, porém, ambos resistem à ideia de disputar o governo paulista contra o favorito Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Ainda que Lula decida oferecer diretamente a vice ao MDB, a solução não será automática, uma vez que o partido tem profundas divisões internas. Lideranças do Norte e do Nordeste trabalham para convencer o Palácio do Planalto de que a aliança tornaria mais robusta a coalizão governista. Enquanto isso, uma forte ala no Sul e no Sudeste rejeita a aproximação com o PT.

O racha emedebista é concreto: um levantamento interno da legenda sugere que apenas dez dos 27 diretórios estaduais são favoráveis a uma composição com Lula.

Jilmar Tatto, por sua vez, tenta transmitir a confiança de que as resistências em siglas que hoje não apoiam o governo não são imutáveis. “Qualquer partido do centro vem com o Lula se o presidente oferecer a vice”, arrisca.

Segundo o dirigente petista, também é plausível que Alckmin não esteja na vice de Lula porque o pessebista pode desempenhar um “papel importante” na eleição em São Paulo. “É o maior colégio eleitoral, não podemos brincar.”

Além das pretensões do presidente, por fim, será necessário levar em conta o que deseja o próprio Alckmin, que até aqui deixou claro trabalhar apenas com a possibilidade de reeditar a chapa vencedora de quatro anos atrás.

Em conversa com CartaCapital no fim de janeiro, o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), relatou uma confidência de Alckmin: “O que ele me disse é o seguinte: ‘vou apoiar e contribuir com o presidente Lula em qualquer situação. Agora, não sendo vice, vou para Pinda capinar.‘” França tem conhecimento de causa: foi um dos artífices da aproximação entre Lula e Alckmin em 2022.

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