Direto da Redação
Deepfakes, Marçal e caso Master elevam temperatura da eleição de 2026
O tribunal busca uma regra clara para a inteligência artificial na campanha, enquanto casos envolvendo Flávio Bolsonaro pressionam a Corte
As eleições de 2026 ampliam a pressão sobre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para conter o uso de inteligência artificial e deepfakes na campanha. Em uma reunião reservada na noite de terça-feira 18, a maioria dos ministros sinalizou que pretende proibir esse tipo de conteúdo de forma ampla, independentemente de favorecer ou atacar candidatos. O entendimento contraria a posição do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, e de André Mendonça, ambos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
O tema foi um dos destaques da última edição do Direto da Redação, programa diário de CartaCapital, apresentado pelo editor Leonardo Miazzo, com participação da editora-executiva Thais Reis Oliveira e da repórter Mariana Serafini. O programa também abordou a atuação de Pablo Marçal, as investigações sobre o Banco Master e o avanço da violência digital contra mulheres.
Maioria no TSE defende proibição ampla de deepfakes
Segundo informações de bastidores obtidas pela repórter Maiara Marinho em Brasília, os sete ministros do TSE se reuniram por quase duas horas. O encontro não definiu datas para o julgamento de processos urgentes, mas deixou clara a divergência sobre como a Justiça Eleitoral deve lidar com deepfakes.
Duas ações sob relatoria de Nunes Marques estão no centro da disputa. A primeira, apresentada pelo PT, questiona o uso de inteligência artificial pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que divulgou um vídeo falso no qual Jair Bolsonaro aparecia declarando apoio ao filho durante a convenção partidária.
A segunda ação trata da suspensão de uma pesquisa da Atlas Intel que incluiu áudios vazados de Flávio Bolsonaro em conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Na semana anterior, Nunes Marques e André Mendonça já haviam sido derrotados no plenário virtual. A maioria dos ministros defendeu a proibição de deepfakes independentemente de o conteúdo beneficiar ou prejudicar um candidato. Nunes Marques sustentava que a restrição deveria valer apenas para materiais de caráter depreciativo.
O tribunal tenta agora consolidar uma regra mais clara para a campanha diante da dificuldade de conter a circulação de fraudes digitais nas plataformas.
Marçal tenta voltar ao centro do debate
Outro foco de tensão foi a candidatura de Pablo Marçal pelo PRTB, registrada nos últimos minutos do prazo. Inelegível até 2032 por condenações relacionadas a abuso de poder econômico na eleição paulistana de 2024, Marçal ainda aguarda decisão final do TSE sobre seu recurso.
Mesmo assim, enviou ofício para exigir participação no debate da TV Band marcado para domingo, 23 de agosto.
Para Thais Reis Oliveira, a movimentação tenta repetir a estratégia de 2024, baseada em confrontos e repercussão nas redes sociais. Na avaliação apresentada no programa, Marçal pode atuar como linha auxiliar de Flávio Bolsonaro ao atacar não apenas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também nomes da direita que disputam o eleitorado bolsonarista, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos.
A provável ausência de Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro debate também pode reduzir o peso político do encontro e favorecer um formato voltado à produção de cortes para as redes sociais.
Caso Master pressiona Flávio Bolsonaro
A campanha de Flávio Bolsonaro também enfrenta o desgaste provocado pelas investigações envolvendo o Banco Master.
Mais de 90 dias depois de prometer explicações sobre R$ 10 milhões repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o senador ainda não detalhou o destino dos recursos, que teriam financiado o filme de propaganda política Dark Horse.
A Polícia Federal investiga o uso do dinheiro e apura a suspeita de que parte dos valores tenha bancado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. As investigações também alcançam repasses da Prefeitura de São Paulo e de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, ONG presidida por Karina Gama e ligada à produção do filme.
A campanha de Lula tem explorado o caso para cobrar explicações de Flávio Bolsonaro e contrastar sua postura com a colaboração do PT em investigações envolvendo o INSS e Fábio Luís Lula da Silva.
Deepfakes também ampliam violência contra mulheres
O uso criminoso de inteligência artificial também preocupa pela ameaça a candidatas mulheres.
Segundo dados citados por Mariana Serafini, estimativas da ONU Mulheres indicam que mais de 98% dos deepfakes de caráter pornográfico ou de nudez não autorizada atingem mulheres. Em períodos eleitorais, esse tipo de conteúdo pode ser usado para constranger, intimidar e desestabilizar candidaturas.
O problema se soma ao aumento da violência doméstica. Dados antecipados por CartaCapital mostram que, no primeiro semestre de 2026, o Ligue 180 registrou um volume de denúncias equivalente a 95% de todos os atendimentos realizados em 2025.
De acordo com Estela Bezerra, secretária de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do Ministério das Mulheres, o crescimento reflete tanto o aumento das agressões quanto uma procura maior pelos canais de denúncia e proteção.
O Direto da Redação vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 17h, no canal de CartaCapital no YouTube.
Assista abaixo à íntegra do programa de 19 de agosto de 2026:
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
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