Deputados pedem que Doria seja investigado por favorecer Lide

Governador teria favorecido o grupo empresarial fundado por ele em 2003 e dirigido pelo seu filho

Foto: José Cruz/Agência Brasil

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Política

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), se encontra em meio a uma polêmica por supostamente ter beneficiado e atuado em prol do grupo empresarial Lide, criado por ele em 2003 e que tem como dirigente seu filho, João Doria Neto.

O governador foi alvo, na terça-feira 27, de uma representação feita pelos deputados estaduais Paulo Fiorilo (PT) e Maurici (PT) ao Ministério Público de São Paulo em que solicitam que o tucano seja investigado por improbidade administrativa.

 

 

De acordo com a denúncia, Doria teria oferecido um jantar, quando eleito, no Palácio dos Bandeirantes, organizado por Marcelo Braga Neto, amigo pessoal, seu ex-advogado e até então membro executivo da Lide China.

A denúncia, feita pelos parlamentares com base em reportagem da revista Crusoé,  diz que ” a seção oriental do Lide fica com a receita das anuidades pagas pelas empresas filiadas – hoje são 30 companhias – e repassa uma parte do dinheiro à matriz, onde atua o filho de Doria, pelo uso da marca”.

“Alguns dos pagamentos recebidos pelo escritório em 2018, que vão de alguns milhares a 2,3 milhões de reais, foram feitos por empresas que possuem concessão de rodovias, uma empreiteira que venceu recentemente a licitação de uma obra do metrô do governo paulista”, diz o documento.

Para os parlamentares, há indícios de atos dolosos “seja com a nítida intenção de favorecer um grupo, seja em deliberadamente atentar contra a administração pública”.

“Averiguar imediatamente a relação, com a oitiva de testemunhas, solicitação de documentos e outros meios possíveis de investigação é urgente e necessário para verificar se houve ou ainda há favorecimento de algum grupo empresarial em detrimento de outros, de empresas ou familiares do governador ou de algum benefício concedido pelo estado fora dos padrões legais e constitucionais”, afirma o deputado Fiorilo.

Ao MP, os parlamentares alertam para favorecimento de um grupo único gerando uma relação possivelmente ilegal entre público e privado.

De acordo com a reportagem de Crusoé, horas antes da publicação da matéria, a assessoria teria informado que Marcelo Braga não é mais presidente do Lide China e que o cargo, hoje, seria ocupado por José Ricardo dos Santos Luz Júnior.

Em nota, o governo de São Paulo declarou que os deputados “fazem oposição pela oposição” e que se pautaram por uma notícia infundada. “Não houve nenhum envolvimento do Lide China na sua organização. A comitiva foi composta por 40 empresários, além de 5 secretários estaduais. O Governo de São Paulo deu publicidade e transparência a todos os detalhes relacionados à Missão China, com divulgação diária. Os encontros resultaram em negociações para investimentos na ordem de U$ 24,8 bilhões no estado, nos próximos 5 anos”, informou por meio de nota. Os gastos da viagem teriam sido pagos pela iniciativa privada e não pelo governo.

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Repórter da revista CartaCapital

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