Política

DEM e MDB saem do bloco do “centrão” na Câmara dos Deputados

Nas redes sociais, deputados Baleia Rossi (MDB-SP) e Arthur Lira (PP-AL) confirmaram desligamento

O deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP). (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
O deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP). (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
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O DEM e o MDB deixaram o bloco chamado de “Centrão”, composto por 221 deputados federais na Câmara. Com a decisão, a maior coalizão da Casa passa a contar com 158 deputados. A cisão foi confirmada nas redes sociais pelo líder do MDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), e pelo deputado Arthur Lira (PP-AL).

Sem o DEM e do MDB, o “centrão” aglutina ainda as siglas PL, PP, PSD, Solidariedade, PTB, PROS e Avante. Nos últimos meses, o presidente Jair Bolsonaro se aproximou do bloco para se blindar de um processo de impeachment, conforme avaliam especialistas ouvidos por CartaCapital.

Baleia Rossi afirmou que o MDB apoiava o bloco por causa das vagas nas comissões da Câmara.

“O MDB independente foi aprovado na convenção que me elegeu presidente do partido em 2019. Apoiamos o que acreditamos ser bom para o País. A presença do MDB no bloco majoritário da Câmara se devia às cadeiras nas comissões. Manteremos diálogo com todos. Somos #PontoDeEquilíbrio”, escreveu.

Arthur Lira disse que o bloco foi formado para votar o orçamento “e é natural que se desfaça”, pois previa que o divórcio ocorreria em março deste ano.

“O bloco de partidos que é chamado de centrão tem como objetivo manter o diálogo e a votação das pautas importantes para o país. O chamado bloco do centrão foi criado para formar a comissão de orçamento. Não existe o bloco do Arthur Lira”, afirmou. “O bloco foi formado para votar o orçamento e é natural que se desfaça. Ele deveria ter sido desfeito em março, o que não aconteceu por conta da pandemia.”

A disputa pela presidência da Câmara é apontada por figuras da oposição como um dos motivos para a separação. Em 2021, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) encerra o mandato e pleiteia sua continuidade. No entanto, é Arthur Lira que lidera o maior bloco de deputados na Casa.

Em sua rede social, a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) escreveu que “significa que as articulações para a eleição da presidência da Câmara estão a todo vapor”.

O deputado Afonso Florence (PT-MG) também vê a disputa da presidência da Câmara como pano de fundo, mas avalia que a saída do DEM e do MDB é “a saída de quem diz que não entrou, mas vai continuar dentro”. Para ele, os partidos que saem seguirão em apoio à pauta econômica do governo Bolsonaro.

“Eles estão dando sustentação à pauta de Bolsonaro, de desmonte da economia, do estado de bem estar social, dos direitos trabalhistas e previdenciários. Não passaram tudo por causa da impopularidade do governo e da reação da população. Mas passaram, por exemplo, a reforma da Previdência. Agora, a base do governo está dividida por causa das disputas internas em torno da presidência da Câmara. Eu quero ver se os ministros ligados a esses partidos vão sair”, declarou.

A tramitação da reforma tributária é uma das prioridades de Rodrigo Maia. A 1ª parte do projeto foi entregue ao Congresso Nacional pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em 21 de julho, e deve ser discutida em comissões mistas, junto com propostas que já existem entre os parlamentares. Uma delas é de autoria de Baleia Rossi.

A comissão formada por senadores e deputados foi criada em fevereiro deste ano, reuniu-se duas vezes, mas teve os seus trabalhos interrompidos com a pandemia do novo coronavírus. Agora, as discussões devem retomadas de forma remota, ainda nesta semana.

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