Política

Delação de Cunha: a nova arma de Janot contra Temer?

Site e jornal afirmam que a próxima denúncia do PGR contra o presidente da República pode trazer informações entregues pelo deputado cassado

Temer e Cunha: o presidente pode ser delatado pelo deputado preso
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Em julho de 2016, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cassado por seus colegas deputados por mentir a uma Comissão Parlamentar de Inquérito, teria dito a um interlocutor que ficaria conhecido por “derrubar dois presidentes”. A nota com essa informação, publicada pela coluna Radar, da revista Veja, não trazia nomes, mas os alvos eram óbvios. Cunha foi o artífice do impeachment de Dilma Rousseff e tem informações que comprometem Michel Temer.

De acordo com reportagem publicada pelo site BuzzFeed na noite da quarta-feira 5, a delação premiada de Cunha está sendo negociada entre ele e o Ministério Público Federal. As tratativas estariam tão avançadas, diz o site, que a próxima denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer já deve trazer informações prestadas pelo deputado cassado. Da mesma maneira, afirma o site, o doleiro Lúcio Funaro, operador de Cunha e de outros peemedebistas, também estaria negociando, separadamente, um acordo de delação.

Entre os fatos a serem narrados, afirma o site, Cunha e Funaro “vão confirmar que, mesmo presos, continuaram a receber recursos dos esquemas de corrupção que participaram”, e que um dos esquemas é o do grupo J&F (JBS), de Joesley Batista, cujo intuito seria calar Cunha e Funaro em troca de dinheiro.

Até aqui, a delação de Joesley gerou uma denúncia contra Temer, por corrupção passivaNas 60 páginas do documento que entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF), Rodrigo Janot buscou conectar dois conjuntos de fatos para provar a culpa do presidente.

O primeiro envolve a negociação da propina semanal feita entre representantes do Grupo J&F e Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), assessor presidencial flagrado correndo na rua com uma mala contendo 500 mil reais de propina. O segundo conjunto compõe o estreito relacionamento entre Loures e Temer. Para Janot, há evidências de que, ao pedir e receber propina, Loures estava atuando em nome de Temer.

A segunda denúncia a ser apresentada pode ser pelo crime de obstrução de Justiça. Aí entrariam os depoimentos de Funaro e Cunha a respeito do silêncio comprado pela JBS. Em delação, executivos da J&F, holding que contra a JBS, afirmam que Temer deu aval para a operação. A PGR sustenta a mesma coisa e, ao que consta, busca novos indícios com Cunha e Funaro.

Outra denúncia a ser apresentada contra Temer seria pelo crime de formação de quadrilha. Na quinta-feira 6, a colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo também afirma que a delação de Cunha está sendo finalizada e que ele “já rascunhou mais de cem anexos para a colaboração”.

Segundo o jornal, Cunha deve envolver em sua delação “diretamente o presidente Michel Temer, os ministros Moreira Franco (Secretaria Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) e o senador Romero Jucá (PMDB-RR)”.

Cunha está preso em Curitiba desde outubro passado e, em março, foi condenado pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, a 15 anos de prisão em regime fechado. Sua influência sobre Temer é conhecida há tempos. Em dezembro de 2015, ainda antes do impeachment, o ex-ministro Ciro Gomes falou sobre a intrincada relação da dupla de peemedebistas e afirmou que “Temer é o homem do Cunha, e não o inverso“.

Após o impeachment de Dilma, Cunha, que abriu o processo, sendo peça fundamental na derrubada da petista, foi defenestrado. Em julho de 2016, renunciou à presidência da Câmara, em setembro foi cassado, em outubro foi preso e em março, condenado.

Pouco antes da condenação, o então líder do governo no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também envolvido na Lava Jato, denunciou que, de dentro de sua cela no Complexo Médico-Penal de Pinhais (PR), Cunha chantageava Temer e conseguia emplacar aliados em posições estratégicas. No dia 28 de junho deste ano, Renan foi além e disse que o governo é de Eduardo Cunha. “Como continuar com um governo comandado por um presidiário como Eduardo Cunha?”

A resposta à pergunta de Renan, ao que parece, virá rápido. Se Temer se salvar na Câmara com relação à denúncia de corrupção passiva, logo receberá mais “flechas de Janot“. Segundo o BuzzFeed, os acordos de delação de Funaro e Cunha podem ser homologados no fim de julho, para que no início de agosto, quando acaba o recesso do Judiciário, Janot apresente uma nova denúncia.

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