Política

Datafolha e Ipec atribuem ao ‘voto de última hora’ a diminuição da margem entre Lula e Bolsonaro

Lula teve 48,43% dos votos, enquanto Jair Bolsonaro do PL teve 43,20% dos votos

Fotos: Ricardo Stuckert e Agência Brasil
Apoie Siga-nos no

Em meio ao fogo-cruzado provocado pela discrepância entre as pesquisas de intenções de voto e o resultados das urnas, os principais institutos de pesquisa do País se pronunciaram.

Lula teve 48,43% dos votos, enquanto Jair Bolsonaro do PL teve 43,20% dos votos. Em sua pesquisa de véspera, o Datafolha indicava Lula com 50% dos votos válidos, e chances reais de vencer o pleito em primeiro turno. No mesmo levantamento, Bolsonaro aparecia com 36% dos votos válidos.

Já o Ipec chegou a apontar Lula com 51% dos votos válidos, contra 37% de Bolsonaro.

Em entrevista à GloboNews nesta segunda-feira 3, a diretora do Datafolha, Luciana Chong, creditou o crescimento de Bolsonaro, não captado pela pesquisa, a um voto de última hora dos eleitores de Ciro e Tebet.

“Acreditamos que teve um momento ali de decisão de última hora, especialmente entre eleitores de Ciro, Tebet e os indecisos que poderiam votar branco e nulo, e isso acabou sendo mais em favor de Bolsonaro”, avaliou. “Por isso ele ficou, no final, com um resultado maior do que o captado pela pesquisa de véspera.”

Ainda segundo a pesquisadora, o eleitorado pode ter se movimentado nesse sentido impulsionado por um ‘antipetismo’ e a possibilidade de vitória de Lula já em primeiro turno. E considera como fator de análise a diminuição dos votos brancos e nulos – esta eleição aferiu o menor percentual desde 1994, 4,41%, o que equivale a 5,4 milhões de votos.

Luciana acredita que o mesmo fenômeno se aplica a São Paulo e à inversão de resultados, com Tarcísio Freitas (Republicanos), terminando o primeiro turno com 42,32% dos votos, à frente de Fernando Haddad (PT), que teve 35,70%. O resultado também não foi projetado pelas pesquisas.

Para a pesquisadora, o fenômeno observado entre o eleitorado difere do chamado voto envergonhado, o que acredita não ter sido o forte destas eleições. “Pode até ter acontecido algum voto envergonhado, mas não foi determinante, não era significativo para mudar os rumos da eleição. Se fosse isso não teríamos chegado na pesquisa de véspera com resultado tão próximo do que foi observado nas urnas para os outros candidatos, principalmente”. A pesquisa Datafolha lida com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A diretora do Ipec, Márcia Cavallari, seguiu a mesma linha de raciocínio e aposta no voto de última hora para explicar as diferenças entre os resultados das urnas.

“Como estava muito no limite do terminar no primeiro turno, entendo que essa movimentação dos indecisos, dos eleitores de Ciro e Simone, migrou para Bolsonaro, tendo ali a diferença de seis pontos, 3 pontos de indecisos, mais dois do Ciro, mais um da Simone, levando a eleição para o segundo turno”, disse.

Ambas as pesquisadoras defenderam que as pesquisas eleitorais não funcionam como prognóstico eleitoral, mas sim como uma fotografia daquele momento específico sobre a intenção do eleitor, que pode mudar nas urnas. A pesquisadora do Ipec ainda descartou mudanças metodológicas significativas para a pesquisa eleitoral de segundo turno, que já está em campo.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo