Dallagnol mentiu sobre não ter vazado informações da Lava Jato

Mensagens da Vaza Jato mostram que procuradores insinuavam vazamentos à imprensa para pressionar delações de investigados

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Política

Novas mensagens dos diálogos entre procuradores da Lava Jato mostram que, ao contrário do que afirmou Deltan Dallagnol em entrevistas, informações privilegiadas da Operação foram liberadas para pressionar políticos a fazerem delações.

Em um diálogo entre os procuradores Orlando Martello e Carlos Fernando Santos Lima, Martello pergunta qual foi a estratégia para ‘revelar os próximos passos na Eletrobras’. Santos Lima diz não saber do que o colega estava falando, mas assume um método. “Meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração”.

Apesar de negar em entrevistas o uso da prática, Dallagnol mesmo foi um dos que utilizou do método para inflamar a imprensa a divulgar uma colaboração dos Estados Unidos na investigação contra Bernardo Freiburghaus, apontado como operador de propinas da Odebrecht, por exemplo. Em uma mensagem à um jornalista do jornal O Estado de S. Paulo, o procurador escreve:

“O operador da Odebrecht era o Bernardo, que está na Suíça. Os EUA atuarão a nosso pedido, porque as transações passaram pelos EUA. Já até fizemos um pedido de cooperação pros EUA relacionado aos depósitos recebidos por PRC. Isso é novidade. Vc tem interesse de publicar isso hoje ou amanhã, [nome do repórter], mantendo meu nome em off? Pode falar fonte no MPF. Na coletiva, o Igor disse que há difusão vermelha para prendê-lo, e há mesmo. Pode ser preso em qualquer lugar do mundo. Agora com os EUA em ação, o que é novidade, vamos ver se conseguimos fazer como caso FIFA com o Bernardo, o que nos inspirou.”

 

Ao compartilhar a informação com outros procuradores no grupo do Telegram, Dallagnol confirmou a manchete de capa do jornal. Santos Lima retornou: “Tentei ler, mas não deu. Amanhã vejo. Vamos controlar a mídia de perto. Tenho um espaço na FSP, quem sabe possamos usar se precisar.”

Deltan Dallagnol encontra-se em uma situação complicada em relação ao seu cargo de chefe da força-tarefa em Curitiba. No momento, o Conselho Nacional do Ministério Público mantém os processos movidos contra o procurador – um deles foi aberto em decorrência das mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil e demais parceiros.

 

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