Da população aos bancos, insatisfação com o governo é inevitável, diz vice da Câmara

Enquanto isso, Febraban desmente Paulo Guedes sobre manifesto pela harmonia entre os Poderes

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. Foto: Evaristo Sá/AFP

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. Foto: Evaristo Sá/AFP

Política

O vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), vê como inevitável a insatisfação de setores da economia e dos bancos com o governo do presidente da República, Jair Bolsonaro.

 

 

“Não é mais o caso daquele opositor do Bolsonaro porque ele fala muita besteira. A insatisfação é de uma parcela da população mais humilde porque o gás está a 100 reais, é da classe média porque a gasolina está 7 reais e é do grande empresário e do banco que está vendo o capital sumir”, disse. “Quando as crises descem da consciência para o bolso é quando a situação começa agravar.”

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), entrou em campo para atenuar o impacto político de um manifesto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo que pede a pacificação entre os três Poderes. Lira conversou por telefone no fim de semana com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Após a investida do presidente da Câmara, a divulgação do documento – que teve origem na Federação Brasileira de Bancos e já havia reunido até o domingo 29 mais de 200 assinaturas – deve ser adiada para depois do feriado de 7 de setembro, quando serão promovidos atos convocados por Bolsonaro e apoiadores.

Nos bastidores da Casa, a ação de Lira foi vista com uma atitude para tentar acalmar os ânimos das manifestações e não inflamar ainda mais os ânimos.

Há nos corredores do Congresso apreensão em relação aos atos que estão sendo convocados e suas consequências.

Um dos temores é que Bolsonaro possa radicalizar ainda mais seus discursos contra os demais poderes e ataques à democracia a depender do tamanho desses protestos.

Guedes x Febraban

O ministro da Economia, Paulo Guedes, reclamou do manifesto nesta segunda. Segundo ele, a divulgação está suspensa e “alguém” da Febraban teria transformado o documento em um ataque ao governo de Jair Bolsonaro.

“A informação que tenho é que havia um manifesto em defesa da democracia, que não haveria problema nenhum, e que alguém na Febraban teria mudado isso para, em vez de ser uma defesa da democracia, ser um ataque ao governo. Aí a própria Fiesp teria dito: ‘Então não vou fazer esse manifesto’. E o manifesto está até suspenso por causa disso. Não estão chegando a um acordo”, disse o ministro após uma reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Horas depois, a Febraban emitiu uma nota de esclarecimento em que desmente o ministro da Economia. No texto, a federação destaca que o manifesto articulado pela Fiesp e “elaborado por representantes de diversos setores, inclusive o financeiro”, buscava harmonia, não atacar o governo ou fazer oposição à política econômica.

Leia a nota:

“O manifesto ‘A Praça é dos Três Poderes’, articulado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e apresentado na última quinta-feira às entidades empresariais com prazo de resposta até 17 horas da sexta-feira, é fruto de elaboração conjunta de representantes de vários setores, inclusive o financeiro, ao longo da semana passada.

Desde sua origem, a FEBRABAN não participou da elaboração de texto que contivesse ataques ao governo ou oposição à atual política econômica. O conteúdo do manifesto pedia serenidade, harmonia e colaboração entre os Poderes da República e alertava para os efeitos do clima institucional nas expectativas dos agentes econômicos e no ritmo da atividade.

A FEBRABAN submeteu o texto a sua própria governança, que aprovou ter sua assinatura no material. Nenhum outro texto foi proposto e a aprovação foi específica para o documento submetido pela FIESP. Sua publicação não é decisão da federação dos bancos. A FEBRABAN não comenta sobre posições atribuídas a seus associados.

(Com informações da Agência Estado)

 

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