‘Culpa pelo atraso dos insumos para vacinas é de Ernesto e Eduardo’, diz deputado

Presidente da Frente Parlamentar Brasil-China, Fausto Pinato, atribui à ala ideológica do governo o fracasso das negociações com a China

Ernesto Araújo e Eduardo Bolsonaro. Foto: Arthur Max/Ministério das Relações Exteriores

Ernesto Araújo e Eduardo Bolsonaro. Foto: Arthur Max/Ministério das Relações Exteriores

Política

O deputado Fausto Pinato (PP-SP), que preside a Frente Parlamentar Brasil-China no Congresso Nacional e a Frente Parlamentar dos BRICS, atribui à ala ideológica do governo do presidente Jair Bolsonaro o fracasso das negociações de envio de insumos para a produção de vacinas no Brasil.

Na terça-feira 19, o deputado enviou um ofício ao presidente chinês, Xi Jinping, em que pede ajuda para a liberação das exportações do princípio ativo Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), matéria-prima usada na fabricação dos imunizantes Coronavac e Oxford/Astrazeneca, que no Brasil são produzidos respectivamente pelo Instituto Butantan, em parceria com a chinesa Sinovac, e pela Fiocruz.

“Desde o início, o governo apostou que não tinha pandemia e resolveu seguir unicamente a linha do Donald Trump. O excesso de ideologia de extrema-direita, do Olavo de Carvalho, do ministro das Relações Exteriores e do Eduardo Bolsonaro, ultrassou a lógica. Há dois anos, os chineses são atacados”, diz Pinato em entrevista a CartaCapital.

“O Brasil teve a faca e o queijo na mão, pois temos a presidência do banco dos BRICS. Poderíamos ter liderado junto com a Rússia, a China e a Índia a fabricação de uma vacina a partir de um financiamento do banco”, aponta o deputado.

Em agosto de 2020, foi confirmado o nome de Marcos Troyjo, então secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, para presidir o chamado Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).

Leia a entrevista.

 

CartaCapital: O senhor atribuiu a quem essa demora no envio dos insumos?

Fausto Pinato: Desde o início, o governo apostou que não tinha pandemia e resolveu seguir unicamente a linha do Donald Trump. O excesso de ideologia de extrema-direita, do Olavo de Carvalho, do ministro das Relações Exteriores e do Eduardo Bolsonaro, ultrassou a lógica. O problema é que há dois anos os chineses são atacados. Além disso, o governo deixa de lado os parceiros dos BRICS e pautas relacionadas a países asiáticos.

O Brasil teve a faca e o queijo na mão, pois temos a presidência do banco dos BRICS. Poderíamos ter liderado junto com a Rússia, a China e a Índia a fabricação de uma vacina a partir de um financiamento do banco.

Algumas votações de interesses internacionais, o Brasil sempre se posicionou com o Trump. E quando se fala que o País atendeu somente a linha norte-americana é um equívoco, pois não se atendeu linha nenhum, já que o governo brigou até com os Estados Unidos após a eleição do Biden.

 

CC: Então o senhor acha que a responsabilida maior é do governo brasileiro?

FP: Eu atribuo à ala ideológica liderada por Ernesto Araújo, Eduardo Bolsonaro e Olavo de Carvalho, que não foi em nenhum momento chamada à atenção pelo presidente Jair Bolsonaro.

 

CC: E as vacinas que viriam da Índia?

FP: O chanceler do Brasil é motivo de gozação no mundo inteiro. A cultura ideológica do Olavo de Carvalho superou a insanidade e o impacto do vírus. O vírus mais perigoso do Brasil hoje é a ala olavista. Neste momento, é hora de achar solução. As pessoas responsáveis, sejam de direita, de centro ou de esquerda, têm que ajudar a minimizar os impactos junto a Índia e China para reestabelecermos pontes e não criarmos mais barreiras em que o País precisa de insumos.

 

CC: A China nos atenderá?

FP: O governo chinês não vai nos perseguir. Tenho impressão que eles quiseram mostrar para o Bolsonaro que criar boa relação é importante. A China depende muito do Brasil e do nosso agronegócio. Agora, neste momento, eles não devem priorizar o Brasil porque são atacados com fake news pela extrema direita irresponsável. Acrescente aí o possível banimento da Huawei no 5G brasileiro.

A postura do Bolsonaro a partir de agora não deve ser só de buscar o insumo. Ele deve mudar radicalmente a política externa com a China, Índia, EUA e mundo inteiro. Não é possível estar todo mundo errado e só nós certos.

 

CC: Efetivamente tem alguma ação que o senhor possa tomar?

FP: Eu cobro o governo brasileiro há um ano e meio uma nova postura e somos taxados de comunistas. A partir de hoje todas as mortes que tiver no País é responsabilidade do ministro das Relações Exteriores e da ala ideológica do governo.

 

Leia a íntegra da carta enviada ao presidente chinês.

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