Política

Câmara dos Deputados

Crítico a Temer, Major Olímpio perde vaga em comissão que julgará denúncia

por Redação — publicado 27/06/2017 13h43
Substituição de deputado do Solidariedade parece ser primeiro movimento do Planalto para interferir na CCJ em busca de parecer favorável
Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados
Major Olímpio

Para o parlamentar do Solidariedade, "ladrão é ladrão, não tem esquerda ou direita”

Correligionário de Michel Temer, o deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, esforça-se para passar uma imagem de normalidade institucional. Segundo o parlamentar, Temer não interferirá na comissão que julgará a denúncia apresentada na segunda-feira 26 contra o peemedebista por Rodrigo Janot, procurador-geral da República.

Não é o que indicam os relatos de bastidores colhidos pela mídia. A estratégia do Planalto é a de acelerar a tramitação da denúncia e emplacar um aliado como relator do caso, além de promover substituições de deputados que não possuam uma postura combativa em defesa de Temer.

Um dos primeiros movimentos que parecem confirmar a estratégia foi a retirada do deputado Major Olímpio da CCJ. Pouco antes da apresentação da denúncia de Janot, o Solidariedade, partido da base do governo, retirou o parlamentar da vaga de titular na comissão e o substituiu pelo deputado Áureo, líder da legenda na Câmara. Por decisão da bancada do partido, Major Olímpio passa a ocupar uma cadeira de suplente na comissão e só terá direito ao voto em caso de ausência do titular.

A comissão é o primeiro passo para a apreciação das acusações contra Temer. Um parecer favorável ou contrário à continuidade da denúncia pela CCJ não impede a análise da matéria pelo plenário. Para Temer ser afastado, é preciso que 342 dos 513 deputados votem a favor da denúncia, o que autorizará o Supremo Tribunal Federal a abrir ou não um processo contra o atual presidente.

Integrante da bancada da bala e conhecido por seu posicionamento conservador, Major Olímpio afirma que não foi comunicado sobre a decisão pelo partido. Ao portal G1, disse estar chateado e declarou que está "estarrecido" com a possível motivação do governo em substituí-lo. Ele garantiu que votaria em favor da continuidade da denúncia.

"Pelas evidências mais do que claras, pelos posicionamentos da procuradoria, pelo presidente não conseguir explicar absolutamente nada de concreto em relação às acusações, não tenha a menor dúvida”, disse o deputado. “Para mim, ladrão é ladrão, não tem esquerda ou direita”.

Áureo, novo titular da vaga, negou ao jornal "Folha de S.Paulo" que a troca tenha relação com a denúncia contra Temer. Ele afirmou que "se a denúncia for bem fundamentada", analisará passo a passo. "Nem sei se isso dará tranquilidade ao governo".

A assessoria do Solidariedade na Câmara afirma que a troca tem o objetivo de permitir a Áureo acompanhar na CCJ a votação do projeto sobre franquia limitada nos planos de internet de banda larga fixa. A legenda defende que o pedido de troca foi feito à CCJ antes da conclusão do inquérito do STF sobre Temer. "“Não há qualquer relação entre a troca de titulares da comissão e os prováveis desdobramentos das investigações a respeito do presidente da República”, diz a nota. 

Assim como o deputado Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, Áureo nem sempre está alinhado com as matérias de interesse do governo. Ele votou contra a reforma trabalhista na Câmara e diz ser contra as mudanças pretendidas pelo Planalto na Previdência.