Política

Contra bolsonarismo, esquerda tem 1º pré-candidato à prefeitura de SP

‘O papel da esquerda é ir pra rua; se ficarmos no gabinete, não vai acontecer nada’, diz Orlando Silva, pré-candidato pelo PCdoB

Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Elencar a relevância da cidade de São Paulo para o cenário político do Brasil é repeteco, e por isso mesmo a corrida para as eleições municipais já está esquentando pela capital paulista. Nesta semana, o nome de Orlando Silva, atualmente deputado federal pelo PCdoB, foi anunciado como o primeiro pré-candidato da esquerda para o cargo. A concorrência deve vir forte do campo bolsonarista, mas, para ele, a saída necessária é pela periferia.

“O papel da esquerda é ir pra rua, para as periferias do Brasil e, particularmente, de São Paulo. Se ficarmos no gabinete esperando chegar o dia da campanha na televisão, não vai acontecer nada”, disse o deputado em entrevista a CartaCapital. “A esquerda precisa valorizar a luta por direitos sociais básicos, como transporte, moradia, saúde. É um ponto de partida que fundamenta a nossa candidatura”, explicou.

A mobilização precoce tem motivo e acompanhantes. O partido do presidente Jair Bolsonaro cogita lançar a líder do governo, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), para disputar a prefeitura. Famosa nos atos verde-amarelo da Avenida Paulista, Hasselmann já sinalizou que teria o aval de Bolsonaro para tentar a sorte. “Parece que está bastante simpático à ideia”, disse ela ao sair de um almoço com o presidente em junho.

Com os falatórios de bastidores, Orlando Silva acredita que São Paulo deve gerar um debate sobre política nacional. “Precisamos nos preparar para fazer uma construção política. A crise nacional tem um impacto muito grande. É um gravíssimo perigo São Paulo ter como governante alguém vinculado a Jair Bolsonaro”, opina o deputado, que também é líder do PCdoB na Câmara. 

Historicamente ligado à chapa petista nas eleições, o partido lançará com Silva, pela primeira vez, um candidato próprio. O deputado explica: “Nós acreditamos em uma eleição que, no primeiro turno, [tenha] a apresentação da identidade do partido e, no segundo turno, o agrupamento de candidaturas do mesmo campo”.

A união do campo progressista precisará entrar na disputa também contra o atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), que parece ter cada vez mais apoio do governador tucano João Doria para prosseguir com a gestão. Covas foi vice de Doria e assumiu o cargo em 2018. O prefeito ainda busca ser uma figura evidente para a população paulistana, declara-se crítico ao bolsonarismo e parece buscar um equilíbrio na polarização. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, disse: “Não faço uma carreira em cima do antipetismo.”

Bruno Covas deverá encarar o antagonista Andrea Matarazzo como concorrente por parte do PSD. Preterido pelo PSDB em 2018 para ser o vice de Dória, o empresário afirmou à rádio Joven Pan que a gestão do atual prefeito é “muito ruim”.

Jair Bolsonaro, por outro lado, poderá se encontrar em uma situação desconfortável com a deputada estadual Janaína Paschoal, que também é pesselista e desponta como nome apelativo para a prefeitura, apesar de ter tido atritos com o partido e com falas de Bolsonaro no primeiro semestre. Até o momento, ela nega interesse na candidatura.

Pelo PSB, o ex-candidato ao governo Márcio França também foi lançado pelo partido como pré-candidato. Já pelo PRB, Celso Russomano deve tentar mais uma vez o cargo.

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