Política

Congresso promulga emenda que isenta de IPTU imóveis alugados por igrejas

De autoria do ex-senador Marcelo Crivella (Republicanos), a PEC estava travada na Câmara depois de ter passado no Senado em 2016

Congresso promulga emenda que isenta de IPTU imóveis alugados por igrejas
Congresso promulga emenda que isenta de IPTU imóveis alugados por igrejas
O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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O Congresso promulgou nesta quinta-feira 17 uma emenda constitucional que estende a templos religiosos alugados a isenção de pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano, o IPTU. A aprovação da PEC foi articulada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com a Frente Parlamentar Evangélica e beneficia uma das principais bases eleitorais do presidente Jair Bolsonaro (PL), que deve concorrer à reeleição em outubro.

De autoria do ex-senador Marcelo Crivella (Republicanos), a PEC estava travada na Câmara depois de ter passado no Senado em 2016. O aval dos deputados à proposta ocorreu em dezembro e fez parte de um acordo. Lira colocou a matéria em votação no mesmo dia em que articulou a aprovação de um requerimento para que o projeto que legaliza os jogos de azar no País tramitasse em regime de urgência.

A liberação de cassinos, jogo do bicho e caça-níqueis no País enfrenta ferrenha oposição da bancada evangélica no Congresso. Mas os líderes da Frente toparam deixar de obstruir a votação do requerimento de urgência em troca da PEC do IPTU.

Na apreciação da proposta no plenário, em 16 de dezembro, 376 deputados votaram a favor no segundo turno, 37 foram contrários e cinco se abstiveram. Os únicos partidos que orientaram suas bancadas a votar contra foram o PSOL e o Cidadania.

Relator do texto na Comissão de Constituição e Justiça, o deputado João Campos (Republicanos-GO) defendeu a PEC durante a promulgação e minimizou o impacto na arrecadação dos municípios. “Nós estamos garantindo que cada vez mais missionários, pastores padres possam acolher pessoas, abençoar pessoas, assistir pessoas”, argumentou. O parlamentar ainda criticou governadores que determinaram o fechamento de igrejas durante a pandemia de Covid-19 para evitar o espalhamento da doença.

Em ano eleitoral, a Frente Parlamentar Evangélica tem se aproximado cada vez mais de Bolsonaro. Nesta quarta-feira 16, a bancada abriu espaço em sua cúpula para os deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Hélio Lopes (PSL-RJ). Os dois assumiram os cargos de secretário e tesoureiro, respectivamente.

A escolha do filho “03” do presidente e de um de seus principais aliados para o comando da bancada foi articulada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que assumiu a presidência da FPE no último dia 9. O deputado esteve presente na sessão que promulgou a PEC, comandada pelo presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Lira não participou.

Para Pacheco, a mudança constitucional assegura a segurança jurídica e a liberdade religiosa. “A promulgação da PEC afasta mal entendidos e impede eventual restrição à liberdade de crença por meio da criação de obstáculo para o exercício das religiões e o faz com fundamento na tutela da liberdade de crença e no fomento ao exercício da atividade religiosa.”

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