Política

Reforma da Previdência

Congresso monta operação de guerra para a reforma da Previdência

por Renan Truffi — publicado 09/05/2017 19h27, última modificação 09/05/2017 20h29
Com instalação de grades e convocação de policiais legislativos equipados para confronto, políticos tentam barrar categorias insatisfeitas

A Câmara dos Deputados deve terminar, nesta terça-feira 9, de analisar todos os destaques da reforma da Previdência, que teve seu texto-base aprovado na semana passada. Mas, para isso, foi organizado uma operação de guerra com o objetivo de evitar que categorias insatisfeitas com as mudanças impedissem a conclusão do processo ou tentassem invadir a chamada “Casa do Povo” para protestar contra as medidas.

O Congresso foi cercado com grades desde o início do dia. Em todas as entradas da Câmara, foram colocados policiais legislativos equipados com material para confronto – como capacetes, escudos e máscaras de gás. A Polícia Militar do Distrito Federal também participou da operação com quatro ônibus de PMs para ajudar na segurança.

“Por medo do povo, que é totalmente contrário ao desmonte que o governo ilegítimo quer impor ao país, o Congresso Nacional agora trabalha totalmente cercado pela polícia, única forma de votar a reforma da Previdência, que nada mais é que o fim do direito à aposentadoria, na comissão especial”, repudiou em nota a liderança da minoria na Câmara. “Isso é inaceitável, uma verdadeira agressão ao direito de ir e vir e de manifestação do povo brasileiro.”

A ideia era impedir que agentes penitenciários conseguissem repetir o feito da semana passada, quando eles invadiram o plenário onde estava sendo votada a reforma. Na ocasião, foram jogadas bombas de gás dentro do local, o que provocou correria entre servidores e deputados.

Durante os debates sobre a reforma da Previdência na semana passada, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, propôs de última hora uma idade mínima de 55 anos para policiais legislativos e agentes penitenciários. A inclusão ocorreu um dia após a categoria invadir o Ministério da Justiça.

Na terça-feira 2, um grupo de 500 agentes ocuparam o local para protestar contra as reformas e para pedir sua inclusão nas chamadas "categorias de risco", junto com os demais policiais. Essa categoria, por sinal, foi criada após protesto violento de policiais civis em frente ao Congresso nacional. Presidente da comissão especial, Carlos Marun (PMDB-MS), chegou a cutucar as alterações na manhã desta quarta-feira 3. "Não é possível que quem quebra a janela tenha mais direitos do que quem não quebra", afirmou.

Agentes da Polícia Legislativa também montaram barreiras nos corredores que dão acesso ao Plenário. Só puderem transitar nesses locais servidores, parlamentares e colaboradores identificados. Além disso, as visitas institucionais foram suspensas até esta quarta 10.

Todo o aparato conseguiu impedir que um grupo de cerca de 30 agentes penitenciários entrassem no Congresso durante a tarde. Parlamentares do PSOL fizeram um protesto do lado de fora da Câmara, contra as medidas adotadas. Para evitar a entrada dos manifestantes, os policiais legislativos fizeram um cordão de isolamento nas escadas que dão acesso ao anexo. “Nós estamos chegando a essa casa hoje estarrecidos. Há um aparato como nunca foi visto nessa Casa”, criticou a líder do PCdoB na Câmara, Alice Portugal (BA).

Por meio de nota, a bancada do PT na Câmara também criticou o aparato utilizado para impedir a aproximação da população. “Todo a praça de guerra foi montada para evitar a presença da população na chamada ‘Casa do Povo’, num dia crucial em que a Comissão Especial que analisa a desastrosa reforma da Previdência prepara-se para votar medidas que virtualmente põem fim à aposentadoria do trabalhador.”

Os deputados petistas Marco Maia (RS), Érika Kokay (DF) e Caetano (BA) anunciaram que vão ingressar com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal em favor da "livre circulação de cidadãs e cidadãos nas adjacências e dependências da Câmara".

Parlamentares do PSOL protestam contra fechamento da Câmara
Parlamentares do PSOL protestam contra fechamento da Câmara em frente à barreira policial montada para conter manifestantes