Política

Congresso diz ao STF desconhecer os ‘padrinhos’ de emendas de comissão

A falta de transparência motivou o ministro Flávio Dino a determinar um pente-fino da CGU nos repasses feitos nos últimos anos

Congresso diz ao STF desconhecer os ‘padrinhos’ de emendas de comissão
Congresso diz ao STF desconhecer os ‘padrinhos’ de emendas de comissão
STF realiza audiência de conciliação e define regras de transparência para o fim do orçamento secreto Relatoria do ministro Flávio Dino. Crédito para a foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
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O Congresso Nacional afirmou não ser possível identificar os “padrinhos” das emendas de comissão, um dos mecanismos utilizados pelos parlamentares para o envio de recursos públicos após a extinção das emendas de relator (conhecidas como Orçamento Secreto). A informação foi compartilhada durante reunião no Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira 6.

A falta de transparência nas transferências motivou o ministro Flávio Dino a determinar, na semana passada, um pente-fino da Controladoria-Geral da União nos repasses feitos nos últimos anos. O magistrado também mandou suspender o pagamento dos recursos até o momento em que houver “total rastreabilidade”.

Na prática, as emendas de comissão têm como autores os presidentes das comissões temáticas do Congresso. Os colegiados costumam aprovar o envio do dinheiro de forma genérica no ano anterior, destinando grandes valores para ações como “fortalecimento do Sistema Único de Saúde“.

Durante o ano da execução das emendas, os chefes dos colegiados enviam documentos ao governo federal solicitando a liberação gradual dos recursos para ações específicas, a exemplo de melhorias na infraestrutura de determinado hospital. O valor das emendas de comissão, que não chegava a 1 bilhão de reais até 2022, saltou para 15 bilhões neste ano.

Os representantes da Câmara afirmaram não existir a figura do “patrocinador” das emendas de comissão e, por isso, não seia possível identificá-los. “Em relação à RP8, as informações estão disponíveis e atendem o procedimento do regimento, mas a figura do patrocinador não existe no Congresso, de modo que o Congresso não tem como colaborar”, registra a ata da audiência.

A posição foi endossada pelos líderes do Senado, que questionaram o fato de as emendas de comissão serem contestadas mesmo não fazendo parte da ação. O processo em questão, apresentado ao Supremo por três entidades, relatava a utilização de outras modalidades de pagamento para driblar a decisão da Corte que extingiu o Orçamento Secreto.

Na avaliação de Dino, a falta de transparência das emendas de comissão repete o problema das emendas de relator, utilizadas pelo governo Jair Bolsonaro em troca de apoio no Congresso. O ministro defende que o parlamentar que patrocinou a emenda enviada pela comissão seja identificado pelo Legislativo.

Representantes da CGU e do Tribunal de Contas da União também criticaram a falta de transparência sobre os parlamentares que apadrinharam o envio dos recursos nessa modalidade. As informações existentes sobre as emendas do orçamento, disse o secretário de Controle Externo do TCU Marcelo Eira, estão “desencontradas, pulverizadas, o que inviabiliza a transparência”.

Durante a reunião desta terça-feira, ficou acertado que a comissão técnica montada para executar a determinação de Dino identificará quais dados faltam para garantir a transparência e a rastreabilidade das emendas. O grupo deve apresentar o resultado prévio desse trabalho em encontro marcado para 21 de julho.

O objetivo do levantamento é recolher as informações sobre as emendas. Na sequência, o colegiado estudará como disponibilizar os dados em uma espécie de painel unificado. O ministro do STF tem defendido que essas informações “precisam ser concentradas em um lugar só, de modo acessível para o público, de forma a atender a Constituição”.

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