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Condenado a 43 anos na Lava Jato, Othon Pinheiro é solto pela Justiça

Política

A prisão preventiva do ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, 78 anos, foi revogada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) nesta quarta-feira 11. Segundo Fernando Fernandes, advogado de Othon, que é almirante da Marinha, o habeas corpus foi aceito pelo tribunal em decorrência da frágil condição de saúde. Othon tem câncer de pele e já passou por cirurgia.

Também físico nuclear, Othon Pinheiro foi condenado à prisão, em 2015, pelo juiz Sergio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato, por corrupção enquanto esteve à frente da Eletronuclear, entre 2005 e 2015. Ele foi detido na fase denominada Radioatividade, que investigou irregularidades em contratos do setor elétrico. 

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Em julho de 2016, o almirante voltou a ser preso. Desta vez pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal, durante a Operação Pripyat. Foi condenado a 43 anos de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro, embaraço a investigações, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa. Na época, a defesa de Othon afirmou que condenar um homem de mais de 70 anos a uma reclusão de 43 anos era praticamente “uma prisão perpétua”.

Othon também foi acusado pelo Ministério Público Federal de cobrar propinas em acertos de contratos com as empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix para a construção da usina nuclear Angra 3. O ex-presidente da Eletronuclear teria recebido 4,5 milhões de reais como vantagens.

O advogado do almirante afirmou que Othon foi condenado a uma das maiores penas deferidas até aqui pela Operação Lava Jato, somente menor que a de 45 anos imposta a Sergio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro. “Entendo a ordem de habeas corpus como um ato de justiça e humanidade”, afirmou Fernandes à imprensa

As denúncias envolvendo Othon Pinheiro contrastam com sua relevância para a soberania do Brasil. Em entrevista ao jornal Brasil de Fato sobre a prisão de Othon, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral (PSB) colunista de CartaCapital, lembrou a importância do almirante da Marinha, “um homem absolutamente brilhante, um patriota comprometido com a ciência brasileira”. “Ele desenvolveu a tecnologia de centrífugas que o Brasil tem hoje, reconhecida como a melhor tecnologia do mundo, dentro desse setor de domínio do ciclo de urânio”, afirmou.

Essa tecnologia foi desenvolvida nas pesquisas para o desenvolvimento do submarino nuclear da Marinha, no qual Othon era uma figura estratégia. Este projeto é objeto de reportagem de capa de CartaCapital que chega às bancas nesta sexta-feira 13.

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