Política

Como o PT deve explorar o silêncio de Flávio Bolsonaro, que segue sem prestar contas sobre Vorcaro

Em maio, o candidato prometeu detalhar recursos do Banco Master que financiaram ‘Dark Horse’, mas o relatório não foi divulgado

Como o PT deve explorar o silêncio de Flávio Bolsonaro, que segue sem prestar contas sobre Vorcaro
Como o PT deve explorar o silêncio de Flávio Bolsonaro, que segue sem prestar contas sobre Vorcaro
Coletiva de imprensa com Flávio Bolsonaro e aliados, em 9 de maio de 2026. Foto: Vitor Souza/AFP
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Passados três meses desde a revelação de que Flávio Bolsonaro negociou recursos de Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, o candidato à Presidência pelo PL ainda não apresentou publicamente o relatório detalhado sobre o financiamento do longa-metragem, que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ausência de explicações sobre o dinheiro do Banco Master deve ser uma das frentes exploradas pelo PT para tentar desgastar Flávio na disputa eleitoral deste ano. Nesta quarta-feira, o secretário de Comunicação da legenda, Éden Valadares, publicou um vídeo em que questiona os “90 dias sem explicações sobre o dinheiro recebido do Vorcaro”.

Manter o caso em destaque, avaliam aliados de Lula, principal adversário do herdeiro Bolsonaro, busca neutralizar a ofensiva da oposição bolsonarista, que nos últimos dias passou a explorar as investigações envolvendo seu filho, Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. Os dois são citados em inquéritos da PF pela relação com a lobista Roberta Luchsinger, cujo nome também aparece nas apurações sobre as fraudes no INSS.

A avaliação no PT é que o caso Dark Horse tem maior potencial eleitoral porque Flávio é candidato ao Planalto, enquanto Lulinha e Marcola não disputam a eleição. A estratégia será retomar o áudio com Vorcaro, as movimentações financeiras e a falta de prestação de contas sobre o filme, além de cobrar o avanço das investigações.

Flávio havia prometido, em 19 de maio, que pediria à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, uma prestação de contas detalhada sobre o financiamento da produção. “Meus pedidos, tanto à produtora quanto ao fundo, foram que eles se organizassem para fazer uma prestação de contas a todo mundo das despesas que foram feitas em função desse investimento no filme, de forma transparente, em até 30 dias. Foi o que eu pedi”, afirmou na ocasião.

A produtora chegou a apresentar um balancete à Justiça de São Paulo, onde tramita uma ação relacionada ao caso, mas o documento não esclarece integralmente os financiamentos negociados pelo senador.

O documento aponta que a obra custou aproximadamente 13,3 milhões de dólares (pouco mais de 75 milhões na conversão para a moeda brasileira). O orçamento inicial aprovado para o longa-metragem, informou a Go Up, era de 16 milhões de dólares (89,7 milhões de reais), montante cerca de 44,8 milhões menor do que a quantia que teria sido negociada pelo presidenciável com o banqueiro em 2025, conforme revelado pelo Intercept Brasil.

Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de inquérito para apurar os repasses atribuídos a Vorcaro. A investigação busca esclarecer os valores efetivamente transferidos e o destino do dinheiro, além de apurar se os repasses tiveram alguma contrapartida. Uma das hipóteses trabalhadas pela Polícia Federal é de que parte dos recursos possa ter sido usada para custear despesas relacionadas à permanência do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Até o momento, porém, não se tem informações sobre o andamento do caso, já que as apurações correm em sigilo.

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