Política
Como o PL lê o desempenho de Flávio Bolsonaro na primeira Quaest do ano
O senador é aconselhado a apresentar um esboço de governo para ampliar seu arco de apoios; Jair Bolsonaro tem envolvimento direto na escolha
O modesto avanço de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira 14 ficou aquém do que esperavam algumas das principais lideranças do Partido Liberal.
Dirigentes da sigla ouvidos pela reportagem classificam o resultado como “razoável”. O argumento é simples: o senador aparece melhor do que em dezembro, quando, no cenário mais favorável de primeiro turno, registrava 27% das intenções de voto. Agora, em um dos quadros simulados, chega a 32%.
O problema é que esse desempenho só se sustenta em um cenário pouco provável. Para atingir esse patamar, Flávio precisaria contar com a desistência do projeto presidencial do PSD, liderado por Ratinho Jr. (PR), com o recuo de Ronaldo Caiado (União-GO) e com a decisão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) de não entrar na disputa. Quando os três aparecem juntos no primeiro turno, o senador despenca para 23%.
Diante disso, o PL aposta que, com a definição das candidaturas (sobretudo se Tarcísio ficar fora) e com o início da campanha, Flávio Bolsonaro poderia “virar o jogo”. A legenda deposita expectativa na exposição do senador em cultos evangélicos, passeatas e, sobretudo, no tempo de televisão.
Outro fator estratégico é o timing de anúncio dos “ministros” de Flávio. Assim como o pai, que acenou ao mercado financeiro ao antecipar o nome de Paulo Guedes um ano antes de a campanha de 2018 de fato começar, o senador é aconselhado a apresentar um esboço de governo para ampliar seu arco de apoios.
Esse desenho, segundo interlocutores, vem sendo feito sob a batuta direta do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, da carceragem da Polícia Federal em Brasília, segue orientando o filho pré-candidato.
Flávio chegou a anunciar, em um programa do influenciador Paulo Figueiredo, que em uma eventual vitória indicaria o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para o Ministério das Relações Exteriores. A promessa desagradou o Centrão, fragilizando ainda mais uma eventual aliança na corrida ao Planalto.
O PSD, de Gilberto Kassab, já bateu o martelo: não vai apoiar Flávio no primeiro turno. O partido, assim como o União Brasil de Caiado, pretende levar a sua candidatura até o fim. Uma aliança no segundo turno, no entanto, não é descartada.
Em um potencial segundo turno contra Lula (PT), Flávio Bolsonaro perderia por 45% a 38%, com brancos, nulos e indecisos somando 17%, segundo o levantamento divulgado hoje.
O levantamento da Quaest contou com 2.004 entrevistas realizadas entre a última quinta-feira 8 e o domingo 11. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-00835/2026.
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