Economia
Como o Centrão no Congresso planeja reagir ao tarifaço de Trump
O grupo vê com preocupação a escalada na guerra tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil
Deputados e senadores do Centrão, mais identificados com a “direita tradicional” do que com a extrema-direita bolsonarista, começaram a articular uma reação política moderada à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre a importação de produtos brasileiros.
A movimentação ocorre em meio ao mal-estar causado pelo apoio explícito de Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao ataque do republicano ao Supremo Tribunal Federal. Embora parte do bolsonarismo tenha celebrado a medida como retaliação a uma suposta “censura” no Brasil, lideranças do Congresso com base eleitoral no agronegócio e no empresariado veem a tarifa como uma ameaça direta à economia. Diante disso, desejam marcar uma diferença entre sua posição e a conduta do ex-presidente e de seus aliados.
A Frente Parlamentar da Agropecuária já havia se manifestado oficialmente, alertando para o impacto da nova alíquota sobre o setor produtivo, com possíveis reflexos negativos no câmbio, no custo de insumos importados e na competitividade das exportações. “A nova alíquota produz reflexos diretos e atinge o agronegócio nacional”, apontou a FPA, em nota.
Agora, outros grupos do Congresso, como a Frente Parlamentar do Livre Mercado, também se articulam para formalizar oposição à medida. Embora presidida pela deputada bolsonarista Carol de Toni (PL-SC), a frente é dominada por congressistas do Centrão com vínculos com o agro, a indústria e o setor financeiro.
A cúpula do grupo prepara um comunicado oficial contra a guerra tarifária, mas optará por não fazer menções diretas ao pano de fundo político da decisão de Trump, que cita o STF e o julgamento de Bolsonaro em sua carta.
Apesar de ser presidente da frente, Carol de Toni tem defendido com entusiasmo as sanções anunciadas por Trump. Nas redes sociais, afirmou que as tarifas “são consequência direta da censura e perseguição a opositores e empresas norte-americanas”, ecoando o discurso da Casa Branca.
Internamente, no entanto, líderes da frente consideram esse tom inadequado e prejudicial ao esforço de proteger os interesses comerciais do Brasil. A estratégia em construção é separar a pauta comercial da crise política entre Trump, Lula e o STF, a fim de evitar que o Congresso seja arrastado para o conflito entre os dois presidentes e seus respectivos aliados ideológicos.
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