Política

Comandante da Marinha volta a se opor à inclusão de João Cândido no Livro de Heróis da Pátria

O projeto de lei tramita na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados

O comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen. Foto: Foto: Lula Marques/Agência Brasil
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O comandante da Marinha, almirante Marcos Olsen, afirmou nesta segunda-feira 29 que sua manifestação contra a inclusão de João Cândido no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria se baseia em fatos, não em racismo.

O projeto de lei, de autoria do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), tramita na Comissão de Cultura da Câmara, sob a relatoria de Benedita da Silva (PT-RJ).

“O que se colocou na discussão é que a posição da Marinha era de racismo, discriminadora. Absolutamente, não é isso. A Marinha é uma instituição que se posiciona pelo mérito”, disse Olsen a jornalistas no Rio de Janeiro. “Me posicionei baseado em fatos. Não tenho nenhuma conotação ideológico-partidária.”

O Livro de Heróis e Heroínas da Pátria já homenageou, desde 1992, 64 pessoas, entre elas Tiradentes, Anita Garibaldi, Chico Mendes, Zumbi dos Palmares, Machado de Assis e Santos Dumont.

Filho de ex-escravos, João Cândido nasceu em 1880 e entrou na Marinha aos 15 anos. Por seu papel à frente da Revolta da Chibata, recebeu o apelido de Almirante Negro. A mobilização liderada por ele em novembro de 1910 contestava os baixos salários, a ausência de um plano de carreira e, sobretudo, as chicotadas aplicadas como punições.

Cândido seria posteriormente homenageado na música Mestre-Sala dos Mares, composta por Aldir Blanc em 1975.

Ao questionar o projeto de lei, Olsen afirmou em um documento oficial enviado à Comissão de Cultura que a revolta dos marinheiros “se deu pela ação violenta de abjetos marinheiros”, em violação à hierarquia e à disciplina.

Nesta segunda, o comandante da Marinha declarou que o açoite é “absolutamente condenável”, mas tornou a criticar os métodos empregados na revolta.

Em entrevista à Agência Brasil na semana passada, Adalberto Cândido, filho de João Cândido, criticou o parecer da Marinha, mas disse não se surpreender.

“Ela não se envolve em nenhum evento relacionado com meu pai. Quando houve a cerimônia de instalação da estátua do meu pai na Praça XV, no Rio de Janeiro, não tinha ninguém da Marinha presente. Parece que nutrem um ódio”, afirmou. “Eles deviam agradecer aos marinheiros por terem feito a Marinha evoluir. Mas não quero que meu pai seja herói da Marinha, quero que seja um herói do povo. Meu pai é um herói popular.”

Em 26 de abril, Lindbergh Farias visitou Adalberto e disse que a mobilização para incluir João Cândido entre os heróis da Pátria não cessará. “Viemos visitar o ‘Sr. Candinho’ para nos solidarizar e reafirmar nosso compromisso de fazer o sonho dele de ver o pai no Panteão dos Heróis Nacionais se tornar realidade”, escreveu o deputado petista nas redes sociais.

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