Clima no Planalto era de preocupação com impeachment, mas carta trouxe ‘distensão’, diz Temer

Segundo o emedebista, Bolsonaro terá de 'manter as palavras' e o conjunto da sociedade deve 'incentivar a harmonia'

Jair Bolsonaro e Michel Temer. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jair Bolsonaro e Michel Temer. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Política

O ex-presidente Michel Temer detalhou nesta segunda-feira 13 os bastidores de seu encontro com Jair Bolsonaro que levou à publicação de uma ‘carta de recuo’ pelo ex-capitão, dois dias depois de proferir ameaças golpistas ao Supremo Tribunal Federal no 7 de Setembro.

 

 

Temer disse ter percebido na reunião de 9 de setembro, em Brasília, “uma grande pressão por uma eventual abertura de um processo de impedimento”.

“Mas eu penso que com essa declaração que o presidente fez ao País houve uma certa distensão. É claro que eu não saberia dizer se as pressões devem ou vão continuar, mas eu acredito que o objetivo principal de todo o trabalho é distensionar as relações dentro do nosso País, especialmente entre os Poderes e entre os brasileiros”, afirmou o ex-presidente em entrevista à VTV, afiliada do SBT no litoral de São Paulo.

Segundo Temer, o clima no Palácio do Planalto no momento de sua chegada era “de certa preocupação”. Diversos ministros estavam presentes e, supostamente, Bolsonaro parecia “muito disposto a colaborar”.

A partir de agora, o emedebista avalia que Bolsonaro “tem de manter as palavras que acabou redigindo por escrito e até assinou-as” e que o conjunto da sociedade, incluindo os Poderes e a imprensa, devem “incentivar a distensão e a harmonia entre todos”.

“O povo brasileiro quer distensionar as relações. O povo está um pouco cansado dessa disputa permanente entre todos e tudo”, declarou Temer.

No texto divulgado em 9 de setembro, Bolsonaro afirma que não teve a intenção “de agredir quaisquer dos Poderes”, 48 horas após estimular a desobediência civil a decisões do Supremo Tribunal Federal. Durante discurso em São Paulo, também ofendeu diretamente o ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de “canalha”, e disse que o presidente da Corte, Luiz Fux, deveria “enquadrá-lo”, sob pena de o Judiciário “sofrer aquilo que nós não queremos”.

“Quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum”, diz trecho do texto assinado por Bolsonaro. Ele também elogiou as “qualidades [de Moraes] como jurista e professor”.

Ainda no dia 9, em entrevista à TV Band, Temer revelou detalhes da produção do texto e informou que foi a Brasília em um avião da Força Aérea Brasileira.

“O presidente havia me telefonado para trocarmos ideias sobre a situação do País. Eu fiz umas ponderações a ele. Coincidentemente, depois tive oportunidade de dar uma palavra com o ministro Alexandre e verifiquei que ele não tem absolutamente nada pessoal contra o presidente, que ele decidia juridicamente”, disse.

“Eu vim [a Brasília], trouxe um esboço de uma declaração e submeti a ele [Bolsonaro] durante o almoço. Ele fez uma observação só e disse ‘olha, vou só fazer uma pequena observação aqui’. Então eu fui visitar o governador Ibaneis [Rocha, do DF] por uns 50 minutos e volto para ver a nota com a modificação. Voltei e ele me deu a nota, que é essa nota que foi divulgada”, prosseguiu. “Penso que causou boa repercussão e que ele se convenceu, definitivamente, de que esse é o melhor caminho. Acho que foi bom para o País”.

 

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