Diversidade

Cinthia Ribeiro: Mulheres na política não precisam ser como a Damares

A prefeita de Palmas foi a única mulher eleita para comandar uma capital em 2021

A Prefeita de Palmas, Tocantins, Cinthia Ribeiro (Foto: Jane de Araújo/Agência Senado)
A Prefeita de Palmas, Tocantins, Cinthia Ribeiro (Foto: Jane de Araújo/Agência Senado)
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A expectativa para o início de mandato dos prefeitos e prefeitas eleitos em 2020 está perto de acabar. Com o resultado das eleições 2020, porém, um recorte preocupa e intriga: apenas uma mulher foi eleita para comandar uma capital estadual em todo o Brasil.

Essa prefeita é Cinthia Ribeiro (PSDB), reeleita em Palmas (TO) ainda em 1º turno, com mais de 46 mil votos. Pertencente a um campo político-ideológico cujo empenho em defender as mulheres na política é frequentemente questionado, Cinthia diz que a pauta é suprapartidária. Ainda assim, pontua:

“É quase que um contrassenso. Mulheres não precisam ocupar espaços de poder como a ministra Damares [Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos] ocupa e serem tuteladas pelas ideias de uma outra pessoa”, diz a prefeita em entrevista a CartaCapital.

Em 2016, Ribeiro foi vice-prefeita de Carlos Amastha, eleito em Palmas também pelo PSDB. Assumiu a prefeitura em 2018, quando ele deixou o cargo para disputar o governo do Tocantins.

Agora, foi eleita para mais 4 anos à frente da gestão municipal – e promete cumprir o mandato até o fim, mesmo com o destaque obtido nacionalmente e dentro do PSDB.

Muitos homens nos veem como excelentes candidatas a cuidar de um partido, excelentes candidatas a vice-prefeita, a vice-governadora, mas quando falam que é para estar na liderança de uma cabeça de chapa com uma eleição majoritária, sempre subestimam nossa capacidade intelectual, nossa capacidade técnica, nossa capacidade emocional.”

A prefeita lembrou constrangimentos da campanha, como quando foi questionada mais de 15 vezes sobre seu preparo para liderar a mais jovem capital do País.

“O meu antecessor, por exemplo, nunca governou nada antes. Nós disputamos eleições juntos em 2016 e eu via que esse não era um questionamento que os jornalistas e que nenhuma outra pessoa fazia a ele. Ficava com essa dúvida na cabeça: será que me perguntam isso o tempo todo só pelo fato de ser mulher?”, afirma a prefeita.

Apesar de estar politicamente distante de Manuela D’Ávila (PCdoB) e Marília Arraes (PT), que disputaram o 2º turno em Porto Alegre e Recife, respectivamente, Ribeiro diz se ver “espelhada” nelas e em outras mulheres.

“Eu tenho [admiração pela] Marília Arraes, que foi uma brilhante deputada, fez uma campanha belíssima agora. Assim como tenho na prefeita Raquel Lira, lá em Caruaru, em Pernambuco. Assim como na prefeita Paula, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, ou Manuela D’Ávila, que fez uma brilhante defesa e uma excelente campanha. A gente se sente representada em cada uma delas e analisa criteriosamente o quanto as pessoas têm uma visão equivocada de achar que os partidos de centro ou de centro-direita não podem discutir determinadas bandeiras”, declarou.

Ela também celebra a eleição de quatro mulheres na Câmara de Vereadores de Palmas – no mandato anterior, havia apenas uma vereadora –, e diz que, em pautas voltadas aos direitos das mulheres, o foco é nas políticas de Estado, e não de governo.

“Suponhamos que a gente consiga evoluir de Superintendência e criar em Palmas a Secretaria da Mulher. Isso não adiantaria se nós não tivermos a formatação adequada, construída e respaldada em lei. Na medida que o Legislativo aprovar isso como lei, nós teremos garantia de um orçamento, ou seja, independentemente de quem seja a prefeita ou o prefeito,aquilo que vamos construir agora não terá nenhuma perda lá na frente.”

Camila da Silva

Camila da Silva
Repórter e Produtora de CartaCapital

Giovanna Galvani

Giovanna Galvani
É repórter do site de CartaCapital.

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