Política

Chapa pura expõe fragilidade de Caiado, e Kassab foca em barganha no 2º turno

O presidente do PSD pode, ao menos, dar a aparência de peso institucional a uma candidatura que não unifica o partido e segue distante dos dois dígitos em pesquisas

Chapa pura expõe fragilidade de Caiado, e Kassab foca em barganha no 2º turno
Chapa pura expõe fragilidade de Caiado, e Kassab foca em barganha no 2º turno
Gilberto Kassab e Ronaldo Caiado em evento do PSD em São Paulo. Foto: Divulgação/PSD
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O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) tende a anunciar nesta quarta-feira 1º que o presidente de seu partido, Gilberto Kassab, será seu vice. O arranjo simboliza a dificuldade do PSD de atrair outros partidos para uma composição que não se mostra competitiva.

Caiado chegou a dialogar com Romeu Zema (Novo), outro presidenciável estagnado nos levantamentos, mas não avançou rumo a uma aliança.

Em 7 de abril, Kassab afirmou que seria “ótimo” se Caiado, mesmo sem avançar ao segundo turno, conquistasse 15% dos votos. “São 15% com os quais nós vamos chamar alguém e dizer: ‘vamos apoiar porque queremos isso e aquilo'”, declarou, na ocasião.

O ex-governador de Goiás, no entanto, está muito distante de concretizar essa projeção. Uma pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada na segunda-feira 29 o apresenta com 5% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Lula (PT) vai a 42% e Flávio Bolsonaro (PL) marca 34%. Caiado está tecnicamente empatado com Renan Santos (Missão, 4%) e Zema (3%), expoentes do pelotão secundário.

Qual seria, então, o objetivo de Kassab ao decidir se tornar vice em uma chapa figurante na corrida ao Palácio do Planalto?

Para o cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, ainda haveria tempo hábil para buscar o endosso de outras legendas tendo uma figura mais relevante ao lado de Caiado. Seria, ademais, uma jogada para oferecer “segurança” a agentes políticos e econômicos, uma vez que Kassab é considerado um bom articulador.

Há também um fator interno: ao contrário de PT e PL, o PSD não se fecha em torno de seu candidato. Assim, Caiado tem de se cacifar enquanto convive com apoiadores de Lula e de Flávio em seu próprio quintal. A entrada em cena de Kassab pode ao menos conferir certa aparência de peso institucional à empreitada do ex-governador goiano.

O próprio Caiado tem apostado, contudo, mais em afagos do que em críticas ao adversário do PL, de quem precisaria, em tese, se diferenciar para avançar ao segundo turno. À direita, Renan Santos é quem desempenha o papel de anti-Flávio.

Segundo Maluf, pode ser uma postura calculada por Caiado: como a campanha só começará oficialmente após as convenções partidárias, em agosto, o pré-candidato do PSD pode avaliar não ter muito a ganhar em visibilidade neste momento com um enfrentamento mais direto a Flávio. Para uma candidatura que sequer se aproxima dos dois dígitos, pode ser uma tática arriscada.

Salvo alguma grande novidade, Ronaldo Caiado não chegará ao segundo turno. Mas Kassab quer — como explicitou há dois meses — um PSD forte diante dos finalistas, com musculatura suficiente para barganhar em condições favoráveis. As divisões no partido, por outro lado, tornam improvável uma aliança formal em torno de qualquer candidato, o que reforça a tendência de neutralidade.

Outro agente a influenciar o tamanho do PSD em um segundo turno Lula x Flávio será seu resultado nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado. Trata-se de um partido que pode não ser desafiador na briga pela Presidência, mas que consegue grandes bancadas no Congresso Nacional e prospera nos pleitos locais — em 2024, por exemplo, uma das primeiras notícias após o primeiro turno dava conta de que a sigla de Kassab foi a que mais elegeu prefeitos em todo o País.

Ainda assim, a dupla Caiado-Kassab ilustra a incapacidade de unir ao menos parte do Centrão em torno da chapa pessedista. União Brasil, PP, Republicanos e MDB, por exemplo, não embarcaram. É uma dificuldade que não se restringe ao PSD: o minúsculo DC, que diz manter a aposta em Joaquim Barbosa, mantém a vice disponível para oferecê-la a algum partido interessado, até aqui sem sucesso.

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