Política
Centrão fala em neutralidade, mas articulações nos estados favorecem Flávio Bolsonaro
O mapeamento das candidaturas mostra uma troca de apoios que pode garantir palanques ao pré-candidato mesmo sem vínculo nacional
A estratégia de “neutralidade” defendida por partidos do Centrão na eleição presidencial de 2026 coexiste, nos estados, com uma rede de alianças que aproxima essas siglas do Partido Liberal que pode garantir palanques regionais ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência pelo partido.
Conversas entre caciques do PL do Centrão explicitam acordos para governos e Senado envolvendo nomes do PL e de legendas como PP, União Brasil, MDB e Republicanos. A lógica é priorizar acordos locais e trocas de apoio entre candidaturas estaduais e ao Congresso, independentemente da definição nacional sobre a disputa presidencial.
Nos bastidores, dirigentes dessas siglas avaliam que o eleitor tende a votar principalmente em candidatos locais e nem sempre associa diretamente os palanques estaduais ao apoio presidencial.
O movimento ocorre em paralelo às discussões internas de partidos de centro sobre manter independência na corrida ao Planalto. No Republicanos, por exemplo, uma ala defende que a legenda permaneça neutra para facilitar alianças estaduais. No MDB, diretórios de 16 estados assinaram um manifesto defendendo posição semelhante diante das negociações do governo Lula (PT) para atrair o partido à sua coligação.
A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, também discute adotar neutralidade na disputa presidencial e concentrar esforços nas eleições para governos estaduais e Congresso.
Potenciais palanques para Flávio
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, aliados do PL discutem a disputa ao Senado em torno do deputado federal Guilherme Derrite (PP). O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), também aparece como alternativa para a vaga, embora seja visto como uma opção mais frágil. Entre aliados do bolsonarismo, o coronel Mello Araújo (PL) surge como um dos expoentes que ganham força nas conversas internas. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) é candidato à reeleição e tende a compor o principal palanque regional do grupo.
No Rio de Janeiro, o deputado estadual Douglas Ruas (PL) é cotado para disputar o governo estadual. Para o Senado, aparecem o governador Cláudio Castro (PL) e o prefeito de Belford Roxo, Marcelo Canella (União), em uma composição que envolveria partidos aliados no estado.
Em Minas Gerais, o cenário também envolve negociações na direita. Entre os mencionados para o Senado estão os deputados federais Domingos Sávio (PL) e Eros Biondini (PL). Já a sucessão estadual depende, segundo aliados, do governador Romeu Zema (Novo), que pode influenciar a definição de candidaturas no campo conservador.
No Espírito Santo, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), é um possível candidato ao governo. Para o Senado, surgem o deputado federal Evair Vieira de Melo (PP) e Maguinha Malta (PL), filha do senador Magno Malta (PL).
No Distrito Federal, a vice-governadora Celina Leão (PP) aparece como candidata ao governo, enquanto o PL trabalha com uma chapa pura ao Senado formada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e pela deputada federal Bia Kicis (PL).
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada Bia Kicis (PL-DF). Foto: Divulgação PL Mulher
No Nordeste, as articulações também envolvem alianças com lideranças regionais. Na Bahia, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) é apontado como candidato ao governo. Para o Senado, aparecem o ex-ministro João Roma (PL) e o senador Angelo Coronel (PSD).
No Ceará, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) surge como possível candidato ao governo estadual, em negociações que podem envolver apoio do campo bolsonarista. Para o Senado, despontam o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), a ex-vereadora Priscila Costa (PL) e o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União).
Na Paraíba, o senador Efraim Filho (União) é citado como “nome forte” ao governo estadual, em chapa que deve ter o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL) na disputa pelo Senado.
No Rio Grande do Norte, o ex-prefeito de Natal Álvaro Costa Dias (Republicanos) surge como opção para disputar o governo estadual. Para o Senado, aliados mencionam o senador Styvenson Valentim (Podemos) e o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB).
Em Sergipe, as articulações envolvem Ricardo Marques (Cidadania), vice-prefeito de Aracaju, como potencial candidato ao governo estadual. Neste caso, a chapa tende a ser formada apenas por integrantes do PL, já que Marques e o deputado federal Rodrigo Valadares (União), postulante ao Senado, devem se filiar ao partido de Valdemar Costa Neto para disputar as eleições.
Uma composição puro-sangue também é esperada em Santa Catarina, onde o governador Jorginho Mello (PL) disputará a reeleição em aliança com a deputada federal Caroline de Toni (PL) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), ambos pré-candidatos ao Senado.
No Paraná, o cenário ainda é considerado indefinido para o governo estadual. Entre os mencionados nas conversas estão o senador Sergio Moro (União), o deputado federal Fernando Giacobo (PL) e o secretário estadual Guto Silva (PSD). Para o Senado, o deputado federal Filipe Barros (PL) aparece entre os principais nomes do campo bolsonarista. O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol também é citado nas discussões, embora sua situação eleitoral ainda dependa do prazo de inelegibilidade decorrente da cassação de seu mandato de deputado federal pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023.
Já no Rio Grande do Sul, o deputado federal Zucco (PL) é uma opção para o governo estadual. Para o Senado, aliados mencionam o deputado federal Marcel van Hattem (Novo).
No Centro-Oeste, o senador Wilder Moraes (PL) é citado como possível candidato ao governo de Goiás. Para o Senado, o deputado federal Gustavo Gayer (PL) surge como um dos nomes discutidos no grupo.
Em Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes (PL) aparece como opção para disputar o governo estadual. Para o Senado, há o deputado federal José Medeiros (PL) e o governador Mauro Mendes (União), em negociações que envolvem possíveis trocas de apoio entre as disputas estaduais e a corrida ao Congresso.
Já em Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) é apontado como candidato à reeleição. Para o Senado, despontam o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) e o deputado estadual Capitão Contar (PL).
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