Caso Flordelis: Polícia investiga se mensagem em celular foi código

Texto enviado a uma das filhas minutos antes do assassinato do pastor Anderson colocou o plano em ação. Relembre o caso

Deputada Flordelis, acusada de mandar matar o marido (FOTO: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

Deputada Flordelis, acusada de mandar matar o marido (FOTO: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

Política

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga uma mensagem da deputada federal Flordelis para a filha Marzy Teixeira em 16 de junho de 2019, dia da morte do pastor Anderson do Carmo..

Os investigadores afirmam que a deputada enviou, por volta das 3h da madrugada do dia 16 de junho, o texto: “Oito e quinze me chama”.

Esse, de acordo com a polícia, seria o código a partir do qual Marzy acionaria Flávio dos Santos, filho biológico de Flordelis, autor confesso dos disparos que vitimaram o marido da deputada.

O pastor Anderson foi assassinado naquele dia, em Niterói, no Rio de Janeiro, por volta das 3h30.

Na época, Flordelis disse à Polícia que o casal havia sido vítima de um latrocínio, e que o marido teria “morrido para salvar a família”.

No entanto, a investigação começou a apurar uma trama familiar que envolvia Flordelis, Anderson e seus 55 filhos, a maioria adotados.

Envenenamento e pesquisa por assassino de aluguel

Os motivos pelo qual Anderson foi assassinado envolveram, principalmente, o controle financeiro que ele exercia sobre a família, segundo a polícia.

Evangélica, a deputada chegou a rejeitar enfaticamente pedir o divórcio do marido, já que o movimento poderia prejudicar sua reputação na igreja.

Em uma coletiva de imprensa feita na segunda-feira 24, o promotor do caso no Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), Sergio Lopes Pereira, detalhou o planejamento do crime.

“Quando ela convence e fala com um outro filho que está aqui denunciado, o André, sobre esse plano de matar Anderson, ela fala da seguinte maneira: ‘Fazer o quê? Separar dele não posso, porque senão ia escandalizar o nome de Deus’, e então resolve matar. Ou seja, nessa lógica torta, o assassinato escandalizaria menos”, disse Pereira.

De acordo com a denúncia apresentada pelo MP-RJ, a deputada “arquitetou toda a empreitada criminosa, arregimentou, incentivou e convenceu o executor direto e demais denunciados a participarem do homicídio”.

No entanto, o plano não se materializou apenas na noite do assassinato. Anderson começou a ser envenenado com arsênico, que era colocado de forma escondida em suas refeições. O pastor teve diversas passagens em hospitais de Niterói com sintomas de diarreia, vômitos e sudorese.

“Começou em maio de 2018 com tentativa de envenenamento do pastor Anderson. Era feito de forma sucessiva, gradual, cumulativa, para conduzir a morte do pastor. (Era usado) veneno, mais notadamente o arsênico, que era posto na comida e na bebida do pastor de forma dissimulada”, explicou o promotor.

Flordelis e pastor Anderson (Foto: Reprodução/Facebook)

O plano final foi o do assassinato, que passou a ser arquitetado por Flordelis e repassado aos filhos. Um matador de aluguel chegou a ser considerado, e pesquisas no Google feitas por Marzy apontaram buscas de termos como “barra pesada online”, “alguém da barra pesada” e “assassino onde achar”.

No entanto, um dos filhos, Flávio dos Santos, acabou fazendo o serviço por conta própria após outro irmão ter comprado a pistola do crime.

Flávio foi preso no velório do pai por uma denúncia de violência doméstica, disse a polícia na época, mas as evidências de envolvimento familiar no assassinato passaram a aparecer.

No dia 18 de junho, a polícia encontrou a arma do crime na casa da família. Lucas dos Santos Souza, outro filho adotivo do casal, também foi preso acusado de ter comprado a pistola usada no crime, por 8 mil reais.

Na segunda-feira 24, outras sete pessoas foram presas após a Operação Lucas 12. Flordelis, indiciada por ser mandante do crime, não foi  presa no momento por exercer um mandato parlamentar.

“Ela, além de arquitetar todo esse plano criminoso, financiou a compra da arma, convenceu pessoas a praticar esse crime, ela avisou sobre a chegada da vítima ao local, e ela ocultou provas”, destacou Allan Duarte, delegado responsável pelo inquérito.

“Pra gente fica muito claro, não resta a menor dúvida, de que ela foi a autora intelectual, a grande cabeça desse crime”.

“O caso Flordelis e a política brasileira”

Apesar da defesa da parlamentar negar as acusações feitas pela Polícia Civil, o caso teve ampla repercussão nas redes sociais e chegou a ser comparado com um roteiro de filme.

De fato, Flordelis tem um filme protagonizado por atores globais, como Bruna Marquezine, Cauã Reymond e outros, que narraram a história da deputada “heroica” que adotou dezenas de crianças para supostamente salvá-las das ruas.

No episódio dessa semana do programa Câmera na Mão, a repórter Thais Reis Oliveira retoma a trajetória do casal de pastores pela política.

O vídeo também relembra outros crimes cometidos por parlamentares no exercício de seus mandatos – e quais foram as consequências para eles. Assista:

 

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