Política
Carol de Toni deixa o PL após partido escolher Carlos Bolsonaro como candidato ao Senado em SC
A deputada recebeu um apoio público de Michelle Bolsonaro no mesmo dia em que decidiu deixar a sigla. Aceno da ex-primeira-dama reforça a crise interna no partido de Valdemar Costa Neto
A deputada federal Carol de Toni (SC) decidiu deixar o PL após ter sua candidatura ao Senado barrada na definição da chapa para Santa Catarina. A decisão foi comunicada à direção nacional do partido após reunião em Brasília na quarta-feira 4. No encontro, a congressista foi informada de que uma das vagas de candidatura apoiadas pelo Partido Liberal ao Senado será ocupada por Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, e a outra ficará com um nome indicado pela federação formada por União Brasil e PP.
A saída ocorre apesar de Carol de Toni ter um bom desempenho nos levantamentos de intenção de voto no estado. A definição final, porém, coube à Executiva Nacional, que levou em conta acordos com aliados e a pressão de partidos que ameaçavam romper com o governador Jorginho Mello (PL) caso não houvesse espaço para a federação na disputa ao Senado.
Durante as conversas, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, apresentou alternativas à deputada, como uma candidatura a vice-governadora ou a tentativa de reeleição à Câmara dos Deputados, com a perspectiva de assumir a liderança do partido em um próximo mandato. As opções foram rejeitadas.
Com a saída da deputada, o PL tende a concentrar apoio no senador Esperidião Amin (PP), que articula a reeleição e integra o arranjo político firmado com a federação União Progressista no estado.
Post de Michelle amplia desconforto
A crise interna ganhou novos contornos após um gesto público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que ocupa o comando do PL Mulher. Em meio às discussões, ela publicou nas redes sociais na quarta-feira uma foto ao lado de Carol de Toni, com mensagem de apoio à deputada.
O gesto foi interpretado por dirigentes e aliados como um novo sinal de desalinhamento em relação às decisões já encaminhadas pela cúpula do PL.

O desfecho do impasse em Santa Catarina evidencia um racha na direita local, em um estado tradicionalmente identificado com o bolsonarismo, e antecipa disputas internas que podem influenciar a formação das chapas majoritárias nos próximos meses.
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