Política
Cargo de Padilha no governo tem prazo de validade, diz Lira no Roda Viva
Para o presidente da Câmara, o principal articulador político de Lula ‘falhou’ ao não conseguir cumprir promessas feitas aos parlamentares; Ele reconhece que, nos últimos meses, articulação melhorou
Para o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), o ministro Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, pode estar com os dias contados no governo. A declaração foi dada em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, da noite desta segunda-feira 31.
De acordo com o parlamentar, a avaliação feita não diz respeito a Padilha como figura individual, mas seria uma situação inerente ao cargo ocupado pelo petista no governo federal, que teria, segundo entendimento de Lira, prazo de validade mais curto que os demais.
“A relação [entre Executivo e Legislativo] tem melhorado bastante. E todos nós sabemos que o cargo que o ministro Padilha ocupa tem muito prazo de validade. Muita gente entra ali e sai rapidamente e outros saem reconhecidos”, avaliou Lira no programa.
Para o deputado, a vida longa de um ministro articulador só se dá quando acordos são cumpridos, algo com que Padilha estaria tendo dificuldades. “O que tem que existir é: senta, conversa, resolve e cumpre”, explicou.
“Dificultou muito a vida do ministro Padilha, ele é um bom cara, um bom companheiro, mas as coisas não estavam andando, não estavam acontecendo, e aí vai desgastando a finalidade para qual o cargo dele se dispõe”.
A dificuldade citada seria o cumprimento da promessa de alocar aliados de políticos em cargos nos ministérios. Conforme explicou Lira, Padilha assumiu compromissos que não conseguiu cumprir por resistências internas no governo.
“Por que sofreu dificuldade? Vamos voltar para o velho problema? Loteamento de ministérios. Cada partido é dono do seu quinhão. Cada ministro ou responde a um partido ou alguma liderança nacional que o indicou. Muitas vezes, o ministro acertava determinada situação com determino partido ou parlamentar e não cumpria“, destacou o parlamentar.
Ainda na entrevista, Lira reconheceu que, nos últimos meses, a situação teve uma melhora. Ele atribui, porém, o apaziguamento das relações ao presidente Lula (PT).
“O presidente Lula teve que fazer uma reunião que durou mais de 10 horas com todos os ministros”, lembra. “Ele cacifou a parte de organização do governo, do ministro Rui Costa, dizendo que nenhum projeto ou vontade própria de ministério poderia nascer sem passar pela Casa Civil e que o ministro Padilha era o autorizado do presidente da República para tratar dos assuntos do Congresso e que se determinada pasta não o atendesse, o presidente faria por cima do ministro”, afirmou Lira.
Por fim, ele ainda defendeu que Lula fosse ‘até mais radical’ na definição. Para ele, se um ministro não cumprir o que foi acordado pela articulação política do presidente deveria ser afastado. “É um cargo de confiança, não fez concurso e não teve votos para ser ministro”, justificou.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Lira diz trabalhar pela ‘sustentação política’ do governo Lula na Câmara
Por CartaCapital
Justiça manda pagar royalties por critério que cidade do pai de Lira não cumpre, diz jornal
Por André Lucena
Lira elogia Haddad por aprovação da reforma tributária: ‘Sempre esteve presente, o que não é comum’
Por Camila da Silva



