Política
Candidatos à presidência do PT cobram de Lula o rompimento das relações com Israel
Apesar de duras declarações do presidente, afirmam os postulantes, o Brasil continua a adquirir armas do ‘complexo industrial-militar de Israel’
Postulantes à presidência do PT divulgaram um manifesto nesta segunda-feira 16 no qual defendem que o Brasil rompa relações diplomáticas e comerciais com o governo de Israel, liderado por Benjamin Netanyahu.
Intitulado Em defesa do povo palestino, o texto expressa apoio à nota do Conselho Nacional de Direitos Humanos, divulgada há uma semana, que solicita ao Itamaraty o rompimento dos laços diplomáticos com Israel e a revisão de acordos comerciais — especialmente os que envolvem a compra de armamentos.
No documento, os quatro candidatos relembram ainda uma declaração de Lula em 5 de junho. Na ocasião, o presidente da República classificou a ofensiva israelense na Faixa de Gaza como “um genocídio premeditado”. Apesar da declaração dura, dizem os signatários, o Brasil continua a adquirir armas do “complexo industrial-militar de Israel”.
Entre outros pontos, o manifesto cita ainda a morte de civis palestinos e a apreensão, pelo governo Netanyahu, de uma embarcação civil com ajuda humanitária em águas internacionais — a bordo do navio estavam, por exemplo, o ativista brasileiro Tiago Ávila e a sueca Greta Thunberg.
“Não é possível virar os olhos às mortes de crianças em Gaza pelos bombardeios de Israel há 20 meses, e agora pela fome e doenças produzidas pelo bloqueio israelense. São crianças, um terço dos 55 mil palestinos mortos em Gaza e na Cisjordânia”, diz o documento, assinado por Edinho Silva, Rui Falcão, Valter Pomar e Romênio Pereira.
A eleição para o comando do partido ocorrerá em 6 de julho. Segundo os postulantes, a suspensão imediata das relações com o governo israelense ocorreria “em consonância com os compromissos históricos do PT”.
O manifesto vem à tona em meio à intensificação de bombardeios no Oriente Médio. Além das guerras com o Hamas (que controla a Faixa de Gaza) e com o Hezbollah (no Líbano), Israel vive um conflito com o Irã desde que o governo de Netanyahu atacou instalações militares do país.
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