Economia
Câmara aprova reajuste e abre caminho para supersalários a servidores do Congresso
Projetos reestruturam vencimentos da Câmara e do Senado e autorizam indenização de folgas fora do teto do funcionalismo
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira 3, projetos que reajustam os salários dos servidores da Casa e do Senado e criam uma licença compensatória por dias trabalhados que pode ser convertida em pagamento em dinheiro fora do teto constitucional do funcionalismo público. A votação foi rápida e simbólica, após um acordo entre líderes partidários.
No caso dos servidores do Senado, o projeto já havia sido aprovado pelos senadores e agora segue para a sanção do presidente Lula (PT). O texto prevê aumentos escalonados no vencimento básico de 2026 a 2029 e reformula o sistema de gratificações, substituindo a Gratificação de Desempenho (GD) pela Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE).
Já o texto que trata dos servidores da Câmara ainda precisará passar pela Casa Alta. A proposta extingue a Gratificação por Representação e incorpora parte desses valores ao salário básico, além de criar a GDAE, que pode chegar a 100% do maior vencimento do cargo. Segundo a Mesa Diretora, os reajustes médios giram em torno de 9% e alcançam servidores efetivos, comissionados e secretários parlamentares.
Ao defender a medida, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o reajuste segue o padrão adotado em outros órgãos do serviço público. “Aprovamos reajuste aos servidores do Judiciário, para várias categorias do serviço público federal e para o TCU. É justo que os servidores da Câmara e do Senado também tenham o seu reajuste.”
Além do reajuste, os projetos instituem uma licença compensatória para servidores que exerçam funções consideradas relevantes ou que acumulem atividades extraordinárias. Na Câmara, o benefício será concedido aos ocupantes de cargos efetivos com funções comissionadas de nível FC-4 ou superior, com direito a até um dia de folga a cada três trabalhados, limitado a dez dias por mês. No Senado, a licença prevê, no mínimo, um dia de folga a cada dez dias trabalhados e, no máximo, um a cada três.
Em ambos os casos, a folga poderá ser convertida em indenização financeira, sem que os valores sejam contabilizados no teto do funcionalismo público, atualmente em torno de 46 mil reais. Na prática, o mecanismo permite que servidores tenham remuneração mensal acima do limite constitucional, por meio de pagamentos classificados como indenizatórios.
Relator das propostas, o deputado Alberto Fraga (PL-DF) afirmou que o impacto orçamentário é reduzido. “A execução das despesas será suportada pelas dotações já consignadas no orçamento da Câmara, sem necessidade de créditos adicionais”, declarou. Segundo ele, o impacto estimado representa cerca de 0,03% da receita corrente líquida do Legislativo.
A direção da Câmara e do Senado sustenta que as mudanças buscam preservar a atratividade das carreiras e evitar defasagens em relação a órgãos como o TCU.
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