Política

Câmara aprova Lei do Gás, que incentiva atuação de empresas privadas no setor

Texto segue para análise do Senado Federal

Câmara aprova Lei do Gás, que incentiva atuação de empresas privadas no setor
Câmara aprova Lei do Gás, que incentiva atuação de empresas privadas no setor
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados
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Por 351 votos a 101, a Câmara aprovou nesta terça-feira 1 o PL 6.407/2013, batizado como “Nova Lei do Gás”. O marco regulatório modifica uma lei de 2009 e reduz a participação da Petrobras no mercado brasileiro de gás natural. O texto segue para análise no Senado Federal.

O projeto quebra o monopólio da Petrobras no gerenciamento das plataformas que transportam o gás natural explorado em reservas marítimas e terrestres. No lugar, estimula-se a participação de empresas privadas.

Em resumo, a mudança concreta está na atividade de transporte de gás natural. Atualmente, a operação ocorre sob o regime de concessão; com a nova lei, o regime para a ser de autorização.

No sistema de concessão, a empresa privada que se interessa em participar desse mercado precisa vencer um leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Já no sistema de autorização, a empresa precisará apenas apresentar um projeto e aguardar o aval da agência.

Projeto é defendido por Guedes e criticado pela oposição

O projeto é defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que espera a atração de 630 bilhões de reais em investimentos na infraestrutura de transporte de gás natural.

Entidades industriais também pedem a aprovação do texto, porque, na posição de compradoras do gás natural, consideram que o aumento da concorrência barateará o preço do produto.

Na votação, o deputado federal Paulo Ganime (Novo-RJ) afirmou que o texto “vai trazer gás mais barato, vidro mais barato, cerâmica mais barata” e que possibilitará a “reindustrialização do Brasil”.

“Vai gerar emprego, trabalho e ajudar a gente a superar essa crise”, afirmou Ganime.

Já partidos da oposição votaram contra o projeto, porque acreditam que a redução da participação da Petrobras no setor é mais um passo para o desmonte da estatal, em favor de companhias estrangeiras.

“Não se quer um plano estratégico para utilizar o gás. Não é para baratear, universalizar ou interiorizar aos mais pobres. É para dizer: a Petrobras está fora. Estamos privatizando totalmente a Petrobras”, disse o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP).

“Nova Lei do Gás traz mais riscos que certezas”

Para a Federação Única dos Petroleiros (FUP), entidade sindical que representa os trabalhadores do setor, o texto ainda deixa dúvidas sobre uma regulação estruturada que evite um plano feito pela metade.

Apesar de reconhecer que o setor pode atrair investimentos no setor, o órgão teme que, sem mais detalhes sobre como unir o poder público com o interesse privado, haja pressão para uma série de privatizações de estatais.

“Os custos de escoamento do mar para a terra são crescentes e sistêmicos, essa indústria funciona em rede por excelência. Sem os investimentos públicos da Petrobrás, sem o financiamento de longo-prazo do BNDES e sem a garantia de criação do Brasduto, que o governo sinaliza vetar, não há nenhuma garantia de que os investimentos privados se realizarão como pressupõe, equivocadamente, o governo”, afirma William Nozaki, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP) na nota divulgada pela FUP.

“A entrada de múltiplos operadores no mercado nacional exige uma rediscussão sobre a regulação desse segmento. Não está claro como a ANP se comportará nesse novo cenário, tampouco houve uma discussão mais aprofundada sobre como se reorganizarão as regulações estaduais. Após a aprovação da lei muito provavelmente se intensificarão as pressões para a privatização de todas as distribuidoras estaduais de gás”, afirmou Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP.

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