Política

BYD e Amado Batista entram na ‘lista suja’ do trabalho escravo; cadastro chega a 613 nomes

Uma atualização do governo federal incluiu 169 novos empregadores. Os casos envolvem obras na Bahia e fazendas em Goiás

BYD e Amado Batista entram na ‘lista suja’ do trabalho escravo; cadastro chega a 613 nomes
BYD e Amado Batista entram na ‘lista suja’ do trabalho escravo; cadastro chega a 613 nomes
Trabalhadores resgatados em trabalho análogo à escravidão em Goiás. Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Apoie Siga-nos no

A nova atualização da “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho e do Emprego nesta terça-feira 7, incluiu 169 novos empregadores e elevou para 613 o total de nomes no cadastro federal. Entre os destaques estão a montadora chinesa BYD e o cantor Amado Batista, envolvidos em casos distintos investigados por órgãos de fiscalização. 

A lista reúne pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas, em processo administrativo já concluído, por submeter trabalhadores a situações análogas à escravidão, como jornadas exaustivas e condições degradantes de trabalho e alojamento.

No caso da BYD, a inclusão está relacionada a uma operação realizada em dezembro de 2024 nas obras de sua fábrica em Camaçari, na Bahia. Na ocasião, 163 chineses foram encontrados em condições consideradas degradantes, trabalhando por meio de uma empresa terceirizada responsável pela construção da unidade. 

Segundo as investigações, havia problemas graves nos alojamentos, como superlotação e falta de estrutura adequada, além de jornadas de trabalho extensas e indícios de irregularidades na entrada dos trabalhadores no País.

Após a repercussão do caso, a montadora informou ter rompido contrato com a empresa terceirizada envolvida e afirmou colaborar com as autoridades. Mesmo assim, a inclusão no cadastro se concretizou, uma vez que ocorre apenas após decisão administrativa definitiva.

Já o cantor Amado Batista foi incluído na lista após fiscalizações realizadas em 2024 em duas propriedades rurais em Goianápolis (GO), onde 14 trabalhadores foram identificados em situações consideradas análogas à escravidão. 

De acordo com o MTE, os trabalhadores enfrentavam jornadas exaustivas e condições precárias de alojamento. Entre os problemas apontados estão ausência de camas, falta de estrutura para refeições e más condições de higiene.

Relatos colhidos durante a fiscalização também indicam jornadas de até 16 horas diárias, trabalho sem registro formal e atrasos salariais.

A ‘lista suja’ 

A “lista suja” é considerada um dos principais instrumentos de combate ao trabalho escravo contemporâneo no Brasil. Embora não imponha sanções judiciais diretas, o cadastro tem efeitos relevantes, como restrições ao acesso a crédito e impacto reputacional, sendo amplamente utilizado por bancos e empresas na avaliação de riscos.

Os nomes permanecem na lista por até dois anos, mas podem ser retirados antes se houver acordo de regularização com o governo. Leia a lista completa aqui.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo