Brasil tem um novo registro de agrotóxico por dia em 2019

Escalada do veneno no País segue tendência dos dois últimos anos; só em 2018 foram autorizados 450 novos produtos

Brasil tem um novo registro de agrotóxico por dia em 2019

Política,Saúde

O Ministério da Agricultura atualizou, nesta terça-feira 21, a lista de registros concedidos para agrotóxicos no Brasil. Até o momento, já são 169 novas autorizações para a utilização de compostos nas lavouras do país, incluindo o polêmico glifosato – associado à ocorrência de câncer e responsável por condenar a Bayer a pagar 80 milhões de dólares de indenização nos Estados Unidos.

De 2015 para cá, o Brasil aumentou o número de agrotóxicos liberados (veja gráfico abaixo). E em 2019, com os 169 produtos autorizados até agora, é como se mais de um novo defensivo fosse liberado por dia.

O ano passado bateu recordes de licenças para as empresas utilizarem dos agrotóxicos, e 2019 parece seguir a tendência. A quantidade já é 37% dos 450 registros dados em 2018. Nesse ritmo, o Brasil tende a acabar o ano com o mesmo nível de crescimento de 2018, o que totalizaria em quase 900 novas licenças no período de 2 anos.

Fonte: Ministério da Agricultura

Para pedir a liberação de um agrotóxico, as empresas solicitam o registro deles junto ao Ministério da Agricultura, que os analisa segundo testes toxicológicos. Em junho de 2018, no entanto, o Projeto de Lei 6299/2002, protocolado pelo ex-ministro de Michel Temer Blairo Maggi há mais de 15 anos, foi aprovado em uma comissão especial na Câmara e seguiu para validação do Senado.

Na ocasião, o relator da matéria, agricultor e deputado federal Luiz Nishimori (PR-PR), declarou que a PL era “uma das melhores propostas para o consumidor, para a sociedade e para a agricultura, que precisa dos pesticidas como precisamos de remédios”.

As mudanças são muitas e preveem uma alteração drástica de todas as etapas do processo agrícola, desde a autorização para o uso do agrotóxico (que deve passar pela esfera federal), até a exportação e importação, fiscalização e controle, transporte, comercialização e até propaganda dos produtos – razões pelas quais a PL é apelidada de “Pacote do Veneno”.

Recentemente em visita à China e a outros países asiáticos para tentar conter a crise e negociar a carne brasileira, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, voltou ao Brasil nesta segunda-feira 21. Em poucos dias, deve dar início à “Semana dos Orgânicos”, que contará com um café da manhã orgânico na abertura.

De acordo com a descrição do evento, “a mobilização também busca promover o produto orgânico e a conscientização dos consumidores sobre os princípios agroecológicos que viabilizam a produção de alimentos e outros produtos necessários ao homem de forma mais harmônica com a natureza” – ações certamente difíceis devido à escalada dos venenos no Brasil, de acordo com críticos das políticas adotadas.

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