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Brasil fora da Unasul é “total subordinação aos EUA”, diz ex-chanceler

O presidente Jair Bolsonaro anunciou a saída do Brasil da União de Nações Sul-Americanas, bloco criado em 2008 pelo ex-presidente Lula

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O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta terça-feira 16 a saída do Brasil da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), bloco criado em 2008 pelo ex-presidente Lula e mantido até hoje. O pesselista não justificou sua decisão, mas informou que os únicos países que seguirão no bloco são Uruguai, Guiana, Bolívia, Suriname e Venezuela.

Pelas regras internacionais, o Brasil ainda precisa se manter por seis meses no organismo.

No ano em que a Unasul foi assinada, o ministro das Relações Exteriores era o diplomata Celso Amorim. Em entrevista a CartaCapital, o ex-chanceler classificou a saída do bloco como “total subordinação do Brasil aos EUA”. “Em 200 anos de história, países latino-americanos estão subordinados a uma visão hemisférica, que é a visão dos EUA”, disse.

Amorim conta que desde o governo de Itamar Franco há uma movimentação para criar um bloco fortalecendo os países da América do Sul. Fernando Henrique Cardoso chegou a fazer uma cúpula com os países vizinhos para tentar um comum acordo. “Quando Lula ganhou, trabalhamos intensamente para que tivesse uma base sólida na integração dos países sul-americanos”, disse.

Na época em que o acordo foi assinado, o ex-presidente dos EUA, Barack Obama, chegou a pedir para se encontrar com líderes do bloco. “Com essa atitude do Obama, conseguimos entender a magnitude que esse acordo teve”, afirmou. “A Unasul criou um conselho de defesa sul-americano que era uma grande inovação na região e tudo isso contraria a visão hegemônica dos EUA.”

O ex-chanceler acredita que a curto prazo não haverá um efeito negativo na economia, pois os acordos selados pelo bloco já foram feitos, mas o Brasil poderá sentir daqui alguns anos.

O Prosul 

Ao mesmo tempo que anunciou a saída do Unasul, o presidente disse que o Brasil fará parte da Prosul. O processo de criação deste novo bloco foi formalizado no dia 22 de março em Santiago, no Chile. Na ocasião, representantes de oito países sul-americanos – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Guiana e Peru – assinaram a Declaração de Santiago, que traz os requisitos essenciais para integrar o fórum: estar em plena vigência da democracia, com respeito à separação dos poderes do Estado, liberdade e direitos humanos, assim como o respeito à soberania e integridade territorial.

A proposta do Prosul, idealizada pelo presidente chileno, Sebastian Piñera, tem formato mais flexível, enxuto, menos oneroso e deve se dedicar à iniciativas entre os países do bloco e ações conjuntas para o desenvolvimento da região. O espaço deverá abordar, de maneira flexível, temas de integração em infraestrutura, energia, saúde, defesa, segurança e combate ao crime, e prevenção e manejo de desastres naturais.

Para Amorim, a proposta do Prosul não é significativa, pois não há uma estrutura criada para administrar o bloco. “Era só reformar a Unasul, por que criar uma nova? Não são todos os países que participam da Prosul, são apenas os de direita e que têm um alinhamento com os EUA”, concluiu.

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Alexandre Putti

Alexandre Putti Repórter do site de CartaCapital

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